Blablaismo

Blablabla de qualidade | Podcast musical

contos

Último ano do colégio, cap. 1

Posted by Queiroz On dezembro - 1 - 20095 COMMENTS

captain_america_shield_newAlice vinha caminhando com seus fones de ouvido marcando 25 no volume, a voz aguda de Axel Rose e a guitarra de Slash, são como fumar, beber, dançar as 01:00hs da manhã, pois é ao som de rock que ela faz essas coisas, mas são 10:30 da manhã ela está no colégio, fazendo uma hora no corredor até passar a aula de matemática. Sente cheiro de cigarro, e de repente me vê matando aula também assim como ela. Alice é a mulher mais bonita do universo, mas aqui é apenas mais uma gatinha do colégio. Seu rosto é branco com sardas que lembram natas. Ha, ha, é isso mesmo, já esquentou um leite e já viu na superfície a nata se desmanchando é que nem as manchas no rosto dela. Lindas por sinal. Seus olhos são verdes, eu acho. Ela é alta para sua idade. Alta para sua idade??? Tá, exagero. O nome dela não é dito em português, você tem que dizer hélice, muitos acham ridículo, mas ela leva a sério. Ela passa por mim, e responde de forma muda a minha mudez. À frente, vemos um clichê em pessoa: Calça preta, casaco de couro, coturnos, acho que fumando um Peter Frampton. Os dois se olham, para ela, Ele é os olhos de Axel Rose, o rosto de Jim Morrison, mas com o estilo de Joey Ramone. Para ele, ela é uma gata, mas também a otária do mês. Ele puxa a embalagem e leio o nome de um Jedi. Calma, é algo legal, mas para não fazer propaganda, digamos que tem haver com sorte e Fred jogando boliche com Barney. Se você não entendeu é porque não fuma, ou é burro mesmo. Ela pega com os dois dedos, e ele como num truque de mágica risca um palito na sua bota encostada na parece e acende. Um truque idiota, afinal ele colou a lateral de uma caixa de fósforos na bota dele. Não vale sabe. Eles se beijam como Michael Cera e Ellen Page, eu olho para o chão, desencosto da parece e volto para a sala de aula, e ela deve ter virado o rosto rindo de mim pelas costas ao ver minha camisa do Capitão América. Pelo menos é o que penso quando a raiva vem, e quase que escuto sua voz dizendo: “Nerd”.

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É praticamente uma foda épica!

Posted by Wagner Brito On novembro - 24 - 20097 COMMENTS

- É a melhor foda de toda Rio Claro e região!
Foi o que ele disse, enquanto abraçava ela. E com um sorriso no rosto. Os dois, mas não sei qual era sincero. Eles formavam um casal interessante: ele trabalhava numa empresa de renome e ela conseguiu estabilidade num cargo na prefeitura. Ele tinha o seu charme e ela é um morena com ótimos atributos. Estavamos bebendo e conversando. Eles, de um lado, eu, do outro.
- É praticamente uma foda épica!
Dei um longo gole na minha cerveja.
- Posso experimentar?
- Pode.
E assim fomos eu e ela ao banheiro do bar. Como ela estava de saia, bastou puxar a calcinha para o lado. Ela beijou minha boca como se não houvesse amanhã, e tinha pernas sensacionais. Acho que fizemos muito barulho e eu deixei tudo dentro dela. Ela realmente sabia o que fazer e eu concordei. Mas não fazia sexo a tanto tempo que qualquer foda poderia ser épica.
Voltamos para a mesa e eu pedi mais uma cerveja.

- É praticamente uma foda épica!
Dei um longo gole na minha cerveja. Tudo isso aconteceu num rapido pensamento, enquanto eu terminava minha cerveja.
- Parabéns.
O que mais eu poderia dizer? Pedi uma cerveja e mudamos de assunto.

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A Rua Misteriosa

Posted by Carol Altenfelder On agosto - 17 - 20092 COMMENTS

rua escura

A rua estava escura, coberta pelas trevas, mas a lua a iluminava. Com a lua cheia havia uma iluminação parecida com a dos filmes, era uma rua repleta de suspense, dava para sentir no ar. Este era pesado, sentia minha respiração profunda, pesada. E, assim, precisava respirar devagar e intensamente.

Não havia ninguém, nenhuma alma, nenhum barulho. A não ser, talvez, por aquele papel branco que rolava com o assobio do vento formando uma sinfonia com as folhas e os galhos dos orvalhos na calçada do lado direito. Do esquerdo, as flores amarelas dos ipês caiam na rua.

Assim, a rua pedregosa se transformava num tapete do mais fino e rico tecido, era como seda do começo do século.

A rua era estreita, não possuía nome, não tinha números, tinha apenas aquele portão no fim. O portão era de ferro já gasto. Havia duas estátuas na frente, uma de cada lado. Eram crianças tão perfeitas que pareciam estar vivas…mas não estavam. Suas faces assustadas me davam a impressão que estavam gritando.

Atrás do portão, o cheiro de enxofre era insuportável, mas combinava com a neblina que escorria impregnando tudo, eu não conseguia ver nada, além da neblina. Era a cortina que escondia algo que não era para ser visto, um segredo.

A rua era semelhante a um deserto, constituído pela noite, pelas trevas e pela solidão. Não há tempo, nem estações. E uma rua que está fora dos padrões a que chamamos de realidade.

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Morte Inesperada – parte 2

Posted by Michel Souza On julho - 28 - 2009ADD COMMENTS

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O barulho das buzinas ao longe davam um formigamento nos ouvidos, um súbito calor se manisfestava em meio a calafrios, tontura, pessoas, gritos, luzes, asfalto, levanta, cai.

Tudo confundia Tiago e num momento de clareza ele olha para o lado, e lá vê Clarisse, seu amor recém-revelado, ainda sustentando um sorriso suave na boca, com as pernas viradas de um modo diferente e o braço dobrado mais de três vezes, o calor era tamanho que Tiago não sabia mais se o que escorria de seu rosto era lágrimas, suor ou sangue, um cheiro de carne queimada e os lábios com aquele gosto de gordura queimada ao mesmo tempo enojava e entorpecia.

Aos poucos as imagens vão se juntando e ele percebe que foram atropelados. Sem sentir o braço esquerdo Tiago se arrasta até Clarisse e a abraça, a dor era excruciante, mas não era o braço de Tiago que doía, mas sim a visão de sua amada com os olhos entreabertos e imóveis. O desespero de tiago o levou a blasfemar, amaldiçoar tudo o que existe. A multidão de curiosos começa a se formar, a gritaria e o burburinho se misturavam às buzinas e o som da obra ao lado que futuramente pararia para ver aquela tragédia humana como se fosse uma peça, um drama interminável, um loop, uma volta infernal em torno daquele momento. A vida de Tiago naquele momento não fazia mais sentido, não tinha mais passado, tampouco futuro. E de repente silêncio.

O calor se foi, o barulho se foi, as pessoas calaram, as buzinas cessaram, os carros pararam, as pessoas ficaram imóveis, presas em suas poses como bizarras estátuas num jardim nefasto com sua fonte ao centro. E então frio, Tiago tremia vigorosamente, os dentes doendo de tanto bater, Clarisse com uma leve camada gélida, mais fria do que sua condição poderia lhe deixar. Foi nesse momento que Tiago viu um vulto enorme passando entre as pessoas, vagarosamente, porém mais rápido do que sua visão poderia acompanhar, sua noção de tempo estava abalada e quando menos esperava aquele vulto estava frente a frente com ele, só não desmaiou de medo pois a curiosidade era mais forte.

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Sem tempo de passar a limpo

Posted by Carol Altenfelder On julho - 22 - 20091 COMMENT

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Uma vida em rascunho. Era assim a vida de Fernanda. Marcada pelas cicatrizes do passado, o silêncio pintava-lhe o rosto, aprofundava-se na alma e circulava pela casa.

Uma casa simples em que tudo que a decorava apenas eram objetos de uso diário e as roupas somente vestiam e nada mais. As janelas deixavam entrar luz, mas essa não iluminava mais a escuridão que encobria Fernanda.

Apenas um lugar na mesa, sem filho nem filha. Entretanto, uma cicatriz na barriga que doe quando chove. Muitas outras cicatrizes, muito profundas também são presentes naquela bela pele já não cuidada.

Não há mais sentimentos nem emoções. Tudo para ela é puramente um objeto sem qualquer importância mínima. A rotina faz parte da vida e provavelmente isso não irá mudar. De madrugada vai trabalhar como operária numa fábrica têxtil do outro lado do vale. À tardezinha, pela estrada tortuosa o ônibus da empresa a deixa em casa. Ela atravessa a rua, passa pela porta e entra, mas não se sente mais em casa. Encontra um envelope de fotografias na cabeceira, abre-o e vê um sorriso e mãos unidas com as de outro alguém.

Lembra-se, então, daquele dia. Chovia também. Havia uma mulher de repouso sobre uma colcha de retalhos, uma cicatriz na barriga, dois corações machucados e lágrimas. Duas portas se fecharam, uma delas nunca mais se abriu.

Uma dor de dente não incomoda mais, quadros pendurados estão tortos, empoeirados e esquecidos. Um caminhar de cabeça baixa e sonhos de uma criança de sete anos não vividos e da primeira alegria vivida aos quatorze com o primeiro namorico. Somente um cadáver, uma dívida consigo mesma, uma lembrança que podia ter virado história, fotografias velhas, cartas rasgadas ou nem abertas sobraram.

Uma tristeza, um passado que perdurou no presente, um futuro sem perspectiva. Uma resposta, àquela pessoa, adiada. Uma vida em rascunho, sem tempo de passar a limpo.

Baseado no conto de Ricardo Ramos “Circuito Fechado (4)” in Circuito Fechado. São Paulo: Martins, 1972. (contos).

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Morte Inesperada – parte 1

Posted by Michel Souza On julho - 20 - 20091 COMMENT

Tiago um cara normal, daqueles que passam despercebidos na faculdade, que todo mundo conhece de vista mas nunca profundamente, simpático e invisível, boa gente para resumir, não sabe mas hoje ele vai morrer.

De manhã, antes de ir para a faculdade ele tomou suco de laranja ao invéz de café, não penteou o cabelo e usou a mesma roupa de ontem, ele estava feliz, o ar da manhã lhe parecia mais perfumado, quase sentindo o gosto doce proveniente das flores do jardim do campus. Sim. Ele estava apaixonado. E sim, ela não sabia. Ainda.

Na primeira aula, a chatisse de sempre, o professor de Engenharia Ambiental passava mais um slide enfadonho sobre o impacto das mudanças climáticas, meia luz, meia turma dormia, meia turma conversava, ninguém prestava atenção e Tiago pensava em suas meias. A capacidade de atenção de Tiago hoje era ligeiramente maior do que a de um equinodermo. Tudo lembrava ela, e ela lembrava a ele que hoje exporia seus sentimentos à ela.

Hora do intervalo, Tiago se dirigiu à biblioteca, onde Clarisse trabalhava meio período para ajudar a pagar a faculdade tão sonhada de letras. Ela sonhava em ser professora, em fazer pesquisas, quem sabe uma especialização em história. Gostava de música também, e como muitas meninas na sua idade, se interessava por coisas esotéricas e meninos. Um certo menino havia lhe chamado a atenção, ela sabia que ele se chamava Tiago pelo cartão da biblioteca, mas sempre manteve em segredo o seu interesse, por vergonha ou prudência talvez. Toda vez que Tiago aparecia ela ficava agitada e por vezes trocava os livros o que gerava algumas reclamações à seu respeito, mas nada muito grave.

Quando Tiago deixou sua mochila na estante destinada às mochilas da biblioteca, Clarisse deixou dois livros de direito cair, e quase que imediato veio a ajuda de Tiago e a bronca da supervisora. Clarisse ruborizou e voltou para trás do balcão. Tiago respirou, como Hortência antes dos lances livres e foi em direção ao balcão.

- Que horas você vai sair hoje? – Ele sabia, 17:00 como todo dia – Ah er… oi Clarisse.

Ele esquecera de cumprimentá-la e já tinha interrogado a menina, ao se dar conta da gafe ele sorri e coça a cabeça.

- Às 17:00, por quê? – Ao pensar em suas próprias palavras Clarisse considerou muito seca e dura sua resposta e tentou consertar – Alguma aventura em mente? Maravilha, quem nos dias de hoje ainda diz “aventura” dessa forma?

- Ah sim, é que eu queria ir no museu lá do centro, está rolando uma exposição sobre o descobrimento e pensei que você pudesse gostar de ir. Ela não sabia mas ele há muito havia reparado que ela sempre carregava um livro de história entre os de gramática e literatura.

-Ah,ok. Então, hoje, ok, 17:00 na frente da faculdade. Agora apesar de o ar-condicionado desregulado da faculdade que levava a todos à era glacial, Clarisse sentia muito calor a ponto de quase transpirar.

Aquele começo de tarde estava nublado e quando marcou 17:00 h algumas nuvens feias começaram a se aglomerar. Ele a viu descendo as escadas e seu coração disparou, o quê dizer? Como devo agir? Eram algumas das perguntas que passavam em sua cabeça quado ela lhe disse: – Vamos ou esperaremos D.Pedro nos buscar? Ele riu e ela também, e juntos atravessaram a rua, porém mal sabiam que estavam sendo observados…

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