Qual é o limite do cansaço? Como diferenciá-lo da preguiça. Onde começa um e termina o outro?

Chegar a esse estado mental é terrível, pois pensar em deitar e dormir é irresistível e qualquer outra coisa se torna secundário. Nenhum prazer é maior do que o esticar das pernas na cama. Cama. Aquela nave interplanetária que me leva ao mundo do prazer, à terra dos sonhos, ao lugar de onde vim.

Todo pensamento se borra, a concentração fica baixíssima, a atenção difusa e confusa, mas o foco é claro. Não há jogo, livro, bate-papo que resista aos encantos desta bela sereia em forma de colchão. Nenhum prato é tão saboroso quanto aqueles dez minutos a mais de sono. Não à toa as pessoas que padecem de depressão tendem a dormir por períodos maiores que grande parte das pessoas que não sofrem desse mal. É uma maneira rápida de fugir da realidade e por vezes a força é tão pouca para encarar a vida, que essa experiência de quase morte que é o sono, se torna um jeito menos doloroso de passar o tempo.

Inclusive, estou escrevendo esse texto mais cedo simplesmente porque não aguento mais dormir tarde e queria, finalmente, dormir cedo e poder desfrutar mais dessa barca filial a de Caronte, mas com viagem mais curta e com passagem de volta garantida.

Poucos sabem o poder regenerador de uma boa noite de sono. Eu realmente gostaria de poder dormir às nove da noite e acordar às seis sem nenhum sinal de sono ou cansaço e meu dia poder render mais e mais.

Agora se me dão licença, vou lá conversar com Morpheu*, aquele lindo. 

Até amanhã.


*Não é aquele cara de Matrix.