Há um dito popular que diz “Deus deu a vida para cada um cuidar da sua”. Porém nem todos parecem ter ouvido essa frase. Ou talvez daquela figura religiosa, um tal de Jesus Cristo, “Ame teu próximo como a ti mesmo”. 

Nunca estivemos tão na contramão do amor, tolerância, solidariedade e outras coisas que poderiam fazer deste planeta um local melhor frequentado. 

Apesar de todas as expectativas de ignorância e falta de empatia, uma pessoa resolveu que não poderia ficar impassível diante do absurdo, diante de uma bestialidade. A mão que levantou-se em auxílio a um semelhante, foi calada por outros que fazem questão de desonrar a evolução humana. Mais uma pessoa vítima de transfobia e o falecido nem trans era. Era uma pessoa que não ficou sem agir ante a atrocidade e pagou com sua vida pela ousadia de defender um outro ser humano, que segundo os agressores, não era apto a viver em sua sociedade ideal. Mas assassinar uma pessoa é perfeitamente plausível. 

É de ferver o sangue e causar um desatento profundo que cenas como essa sejam apenas mais um rodapé de jornal, uma breve nota televisiva ou um número a mais nas estatísticas. A cada morte motivada por preconceito, morremos um pouco e talvez por isso fiquemos tão dormentes que nem sentimos. Ou talvez por ser um senhor negro, vendedor ambulante e não uma pessoa branca, classe média para cima que não nos comovemos? 

Enquanto nossa indignação e pesar forem seletivos, o coletivo perde. Cada dia mais. 

Até amanhã.