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Provavelmente em algum post passado eu devo ter comentado sobre a progressão da minha calvície. O mais triste em ficar calvo, não é perder os cabelos, mas perceber que eles crescem em locais não convenientes que outrora eram lisinhos.

Por conta disso, muitas pessoas partem para a depilação como um processo de higienização. Ledo engano. O higiênico, segundo muitos pesquisadores, seria mantê-los onde estão. Claro que para efeito estético, aparar seria uma solução.

Dos pelos da minha puberdade tardia os que eu não gosto nem faço questão que permaneçam no meu corpo são os pelos das costas. Já utilizei cera quente e vou dizer que é o método de tortura moderno mais cruel, porque é você quem vai em busca daquilo. E isso me levou a refletir mais uma vez sobre a imposição da beleza sobre as pessoas, sobretudo as mulheres.

Criou-se um senso comum que leva a crer que a mulher deva ser livre de pelos, menos na cabeça, porque mulher careca é feia, e lisinha. Nem entrarei na seara do corpo perfeito, pois o assunto são pelos. O ato de depilar as pernas já teria de dar uma medalha de honra à coragem para essas pessoas. Além das inúmeras dores que elas suportam, além de todo o assédio e preconceito pelo simples fato de ser mulher, ainda lhe recai sobre os ombros, a obrigação de ser “limpa”. E a situação é tão séria que muitas são hostilizadas, e muitas vezes nem de forma velada, mas verbalmente violenta, por não terem as pernas lisas. Isso porque a região genital não é exposta naturalmente como as pernas e talvez fosse até pior, caso soubessem.

Essa imposição fala muito sobre nós, enquanto sociedade, e sobre como podemos destruir pessoas sem nem menos saber o porquê. 

Depois de décadas de lavagem cerebral estética, fica difícil saber se a pessoa que prefere continuar se depilando, o faz por gosto ou por costume dessa prática. Mas tirando ou não, quem deve decidir é a pessoa. E ninguém deve ter nada com isso. Vejam como exemplo o elemento mais frágil da natureza, também conhecido como masculinidade. Há 20 anos ter barba era considerado sujo, hoje é moda. Quem sabe um dia todos serão livres para decidir sua estética?

Até amanhã.