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Desde muito cedo a humanidade sempre achou um meio de ficar fora de si. Não, não é perder a cabeça e sim ficar doidão, chapar o coco, fazer a cabeça, transcender as paredes da percepção, deslocar-se ente as dimensões, comunicar-se com a terra/antepassados ou outra finalidade que se tenha para ficar alegre.

A primeira experiência da qual me recordo de fugir da realidade é a de girar só para curtir ver o mundo girando e perdendo o controle das minhas pernas. Engraçado também era ver amiguinhos passando pelo mesmo e como seus olhos ficavam indo de um lado para o outro numa tentativa de acompanhar um movimento que já não estavam fazendo. Também fui muito fã daquela sensação de frio na barriga que sentimos, principalmente naqueles barcos vikings de parque, quando seus órgãos se mexem posteriormente ao corpo. Hoje em dia não curto mais essa sensação e inclusive tenho um certo pavor de senti-la novamente. Esse pavor acabou gerando uma situação embaraçosa em 2008, mas nem foi tão tão ruim. Pelo menos foi melhor do que sentir a maldita sensação novamente.

Estava quase adulto e comecei a orar muito pela minha salvação experimentar aquele artigo que o ser humano vem refinando sua confecção antes mesmo de a Europa achar que era o centro do mundo: as bebidas alcóolicas. A cerveja já havia dado uma “bicada” quando criança e cuspi dizendo as proféticas palavras. “Que troço ruim! Nunca beberei isso!”. Então nessa fase do final da aborrecência eu gostava muito dos destilados, mas um fermentado tinha meu coração. O vinho. E qualquer álcool com suco de uva, como Sangue de boi, Chapinha ou outro vinho vagabundo, era um néctar dos deuses e me fazia feliz. Mas como vivemos num mundo capitalista, logo veio a crise financeira do meu bolso e comecei, após alguns anos, dar uma chance para a cevada fermentada, já que era bem mais barata que a bebida que preconizou o primeiro milagre de Jesus.

Já dentro da fase adulta, aquele desejo idiota de beber para simplesmente escapar da realidade mesmo não tendo motivo para tal, comecei a apreciar o sabor das bebidas e uns anos depois tivemos o boom de cervejas especiais ou como gosto de chamar, as cervejas sem milho (ou muito). Essas cervejas “diferenciadas” têm um maior teor alcóolico e caso seu intuito seja ficar ébrio, duas garrafas fazem um bom trabalho. Nessas experimentações descobri que sou fã de dois tipos de cerveja. As Weizen (ou Weiss, Weißbier ou Weissbier) que são cervejas alemãs feitas de trigo. Maravilhosamente refrescantes, são uma ótima pedida no verão e a maioria vem com a dose de 500ml. Custo benefício garantido. As belgas conquistaram meu paladar após experimentar tanta cremosidade e “frutância”. Inclusive devo salientar que não gosto de cerveja escura, mas a única que provei e aprovei foram as belgas escuras. Talvez pelo tipo de fermentação ou sei lá o que que esse pessoal das abadias fazem que aquele gosto torrado não fica ruim ao meu gosto.

Mas independente do que venham a beber, nunca dirijam, operem máquinas pesadas ou mande mensagem no whatsapp após consumir bebidas alcóolicas! 

E hoje é dia de curtir uma cerva geladinha.

Até amanhã.