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Segundo Freud, todos sofremos um corte na mais tenra infância onde algo nos é tirado e nunca mais recuperaremos e passaremos nossas vidas pulando de desejo em desejo numa busca infinita de recuperar aquilo que nem ao menos sabemos o que é.

Com o tempo algumas pessoas conseguem dominar essa vontade e passam a não ser tão regidos por essa ânsia de alguma coisa. Outras sucumbem e vivem em função dessa busca, dessa forma depositando sua felicidade na posse de alguns bens materiais.

Ter passa a ser mais importante do que ser. Você não é mais uma pessoa legal, você tem uma roupa legal. Você não é interessante, mas seu carro do ano é. Você não é inteligente, sua estante cheia de livros que você não leu, nem lerá, que é. O consumo pelo consumo é valorizado e esperado. Não é incomum quando uma pessoa descobre que outra não possui celular ficar chocada. Consumir se tornou um vício. Bem como consumir carne ou açúcar. Abra sua boca para dizer que você não come carne há quinze dias e espere qualquer tipo agressivo, na maioria das vezes, de argumento sobre a pessoa que não consegue viver sem carne nem imaginar como isso seria horrível. Com o consumo acontece o mesmo. É muito importante você ter o melhor celular, a melhor TV, a melhor geladeira, a melhor casa etc. Melhor de acordo com qual parâmetro? Melhor para você ou em comparação a outro? 

Um exemplo bem prático de quando despertei para refletir o que consumo, foi justamente onde eu fui mais fanático nos anos 2000: Celular. A cada ano saía um mais moderno que o outro, com novas funcionalidades. Era uma inovação atrás da outra e por vezes eu nem me questionava se aquela inovação era realmente importante para mim ou se era compatível com meu uso. Era imprescindível possuir o que havia de mais moderno naquele momento ou eu estaria atrasado, fora do jogo, um pária na sociedade tecnológica. Mas graças ao tempo a era dos smartphones chegou e toda geração não tem um impacto profundo na anterior. Sem contar que hoje com tanta variedade, não existe mais um celular ideal e sim um celular que se encaixa com sua necessidade de uso. Meu bolso agradece.

Porém sofro de uma teimosia de consumo. Quando eu tenho a real necessidade (ou não) de uma coisa, eu não descanso ou falo de outra coisa que não seja aquilo. A esposa pôde comprovar na primeira crise de teimosia consumista que ela presenciou quando namorávamos. Um tablet. Era o samsung galaxy tab 7″. Há seis anos foi uma revolução tecnológica e foi mesmo uma mão na roda, pois na semana em que comprei o aparelho, meu antigo notebook queimou. E por falar em notebook, estou a espera de um finalmente e não vejo a hora de ele chegar a casa. Vou abraçá-lo, afagá-lo, ler histórias para ele e desenterrar todos meus projetos internéticos (a maioria deles aqui, aguardem) e poder estudar, já que tenho compartilhado o computador da esposa e como estamos os dois na faculdade e fazendo cursos, voltei a vislumbrar um pouco da minha adolescência onde dividia o computador com meus dois irmãos mais novos. Então como já estava insustentável a situação, um notebook para cada se fez necessário e agora só penso e falo nisso. Eu sonho com ele. Mentira. Mas sonho em sonhar com ele e finalmente poder desinstalar os programas que só eu uso e colocar o da senhoura para azeitar na assistência e dar uma recauchutada de sobrevida.

Mas longe de mim ser uma pessoa consumista.

Até amanhã.