Acho que nunca deixei um texto nos rascunhos por tanto tempo assim, mas acredito que agora é o momento bacana de publicá-lo, já que parte da euforia pós-eleições brasileiras já baixou.

Após as eleições, muitas explicações sobre porque a maioria dos candidatos de direita e conservadores ganharam, ainda mais depois do que aconteceu no âmbito federal. Muitos achavam que as cidades se mostrariam mais a esquerda, ou escolheriam candidatos diferentes… enfim, nada disso aconteceu, como vimos.

A surpresa foi ver que nas grandes cidades, bairros que tradicionalmente votavam em candidatos de esquerda, escolheram candidatos da direita. Dória em SP,  Crivella no Rio de Janeiro, para ficar nesses dois exemplos. Mas porque isso aconteceu? Muitas analises surgiram (até uma capa nojenta da Carta Capital). Bem, vou dar um pitaco para somar essas explicações.

Isso aconteceu por culpa do PT, óbvio.

Calma, vou desenvolver esse assunto. Quando o Lula ganhou as eleições pela primeira vez, teve a oportunidade de outro de incluir na sociedades pessoas que até então estavam excluídas. Mas como elas foram incluídas? Através de politicas públicas que visaram melhorar a infra-estrutura das cidades, fazendo com que as pessoas tivessem acesso a educação e saúde de qualidade? Melhorou a mobilidade urbana, para que as pessoas pudessem se locomover por ela de forma fluída?

Não. A inclusão se deu através do consumo. E é aí que começou a descer a ladeira.

Veja, consumir é importante no capitalismo. E o Bolsa Família permitiu que as pessoas, que até então não consumiam, começassem a comprar coisas que, de alguma forma, ajudou a melhorar sua vida. E isso é bom, pessoas passavam fome, pessoas moravam em locais ruins e tudo isso foi melhorando. Ao mesmo tempo, implementou as cotas nas universidades. Excelente, agora pessoas pobres que não conseguiriam cursar uma faculdade pública terão acesso a ela. Estudos permitem uma melhora financeira na vida das pessoas.

Mas investiu pouco, mas muito pouco, na formação de pessoas com um pensamento mais critico, um pensamento mais coletivo, um pensamento diferente da então forma conservadora que há na sociedade. E o resultado está aí, anos depois. Toda uma geração que cresceu absorvendo os mesmos valores da classe rica e média conservadora. Valores esses transmitidos pela televisão, divulgados na internet, escritos em jornais.

Ou seja, apesar do crescimento dos movimentos LGBT, negros, femininos e outros grupos que são minorias, o pensamento conversador ainda é muito forte. O PT, que até então todo mundo via como um partido de esquerda, ao invés de tentar quebrar isso, foi com a onda. Infelizmente.