poder

– Juca, seu moleque desgraçado, o que você fez com meu lençol?

– Oi, mãe! Eu sou um super-herói!

– Que super-herói o quê? Olha a porcariada que você fez com meu lençol limpinho.

A mãe ao ver o menino com os olhos vidrados em sua brincadeira, desiste de continuar brigando com ele. E lhe pergunta que tipo de super-herói ele é.

– Sou o Super Normal! Shhhhhhiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuuuu – fez com a boca, mais babando do que interpretando.

– E que raios de super-humano é esse, Juquinha? O que ele faz?

– Ele ajuda as pessoas! Sabe a dona Eunice?

– Nossa vizinha da frente, que mal sai na rua?

– Sim, essa mesma! Hoje eu usei meus poderes nela. Foi difícil, mas eu derrotei meu primeiro monstro!

– E por acaso a dona Eunice é um monstro, Juca?

– Não, sua boba! O monstro estava dentro dela. Eu já estava lutando com ele tem uma semana. Foi mais difícil do que pensei.

– Como assim, não entendi. Ela estava possuída?

– Estava, mas eu consegui derrotar o parasitamalvadão! Dei um chutão nele que ele voou lonjão! Pou!

– Aham, claro.

– Agora eu vou te ajudar!

– Me ajudar, como?

– Toma essa seu monstro idiota!

E os dois ficaram abraçados por um tempo que a mãe de Juca não soube contar. Seus pensamentos se perderam no calor do abraço de seu filho.

Ela pausou o vídeo justo no momento do abraço e não pôde conter as lágrimas que borraram a maquiagem pesada e pingavam na urna.