Como tirar esse verme daqui

Só um pouquinho, quase chegando no cérebro.

Alguma vez você pode ter sido vítima desse verme moderno. Principalmente no verão.

Os vermes de ouvido são aquelas músicas que você não consegue tirar da cabeça, por mais que se esforce.

O pior caso acontecido comigo foi por volta de 2010 com a maravilhosa composição do grupo Parangolé que figura entre o panteão dos maiores poemas do cancioneiro brasileiro, o Rebolation. O curioso é o fato de só ter ouvido essa maravilha fonográfica quase dois anos depois, mas de tanto ouvir as pessoas cantando perto de mim, se infiltrou de tal maneira que eu não sabia mais o que fazer e passava quase o tempo todo munido de fones de ouvido para combater a praga auditiva.

Há também casos em que uma música que você adora fica na sua cabeça, presa num looping em só uma parte e carrega o grande risco de fazer você odiar uma música boa. Ainda bem que meu gosto musical é bem flexível e por conta disso aconteceu a mais recente infecção.

Um livro muito interessante que trata desses e outros casos é o Alucinações Musicais do finado neurologista Oliver Sacks, onde ele compartilha casos curiosos envolvendo música e o sistema neurológico. Um caso parecido com alguns descritos na obra aconteceu comigo, quando estava ouvindo um rádio de um automóvel que vinha distante e comecei a curtir Beat it do Michael Jackson e quando o carro finalmente se aproxima era um pagode que não me recordo qual. Fiquei estarrecido.

Por volta de 4 dias eu fui ouvir, finalmente, uma música do tão falado Wesley Safadão, após um episódio ocorrido envolvendo um youtuber. O resultado foi:

Eu nem gosto de forró nem de sertanejo universitário. Acho uma bosta. Até parece que eu iria gostar de um ritmo desses. O que esperar de um artista que se autodenomina Safadão… Vai Safadão! Tô namorando todo muuuuundo, 99% anjo, perfeito, mas aquele 1% é vagabundo! VAI SAFADÃO!

Quer dizer…

Até amanhã.