Americanah

Se há uma coisa que muitos leitores assíduos temem é a ressaca literária. Aquele sentimento agridoce que ao mesmo tempo te faz feliz por ter conhecido uma obra boa e que te levou a pensar, refletir, expandir os horizontes; te faz triste por não mais encontrar aquelas personagens cujas vidas você não acompanhará mais. Até na ressaca um ponto positivo pode ser colhido dessa sensação esquisita, pois o autor conseguiu criar uma personagem que é muito próxima de um ser humano, bem verossímil. Talvez seja por essas e outras que é difícil nos afeiçoarmos a personagens tão insossos como aquela-menina-daquele-livro-onde-aquelas-criaturas-das-trevas-brilham. E posso afirmar a vocês que nenhum autor até o momento tenha provocado esse sentimento de uma forma tão forte em mim antes.

O romance Americanah da autora Chimamanda Ngozi Adichie conta a história em torno do casal Ifemelu e Obinze. Dois jovens nigerianos que tiveram um curto, porém intenso romance na faculdade e por fatores da vida acabaram indo para países diferentes para tentar melhorar de vida e passam por vários problemas comuns a estrageiros. Ao constar a história das personagens a autora conta um pouco da história e do povo da Nigéria e é possível observar alguma semelhança com o Brasil, um pouco de antigamente, um pouco atual. Outro ponto semelhante é a valorização exacerbada do que/quem vem de fora, gerando até a expressão que dá nome ao romance, onde as mulheres que retornam ao país com sotaque americano, forçado ou não. Só divergiu um pouco ao batizar a personagem brasileira de Duerdinhito. Ainda não conheci alguém chamado assim, mas fica a sugestão de nome de meninos para futuros papais.

Caso você tenha medo de se apaixonar por histórias, talvez esse livro não seja recomendado para você, pois a autora constrói sua narrativa de modo envolvente e quando menos se espera, quer saber desesperadamente o que acontecerá com este casal desafortunado.