Segunda-feira, dia 27 de outubro, poderia ser o começo do entendimento. Entender o que aconteceu durante essas eleições. Não posso afirmar categoricamente, mas acredito eu que desde o fim da ditadura não vivíamos um clima de ódio tão grande no processo eleitoral.

Vemos um reflexo distorcido do que aconteceu nas manifestações de 2013. As pessoas pediam mudanças, desde as bem fundamentadas e argumentadas quanto o vazio “contra tudo isso que está aí”. A sensação de insatisfação era geral, porém uma sensação sem direção, resultando em conflitos de vários grupos com ideologias diferentes.

Apesar das várias analises disso tudo que ocorreu, a maioria das conclusões eram parecidas: nas eleições é que a vontade de mudança poderá ser expressa. Votar nos candidatos que realmente querem promover mudanças significativas no Brasil. Porém não foi o que aconteceu. Parafraseando Fernando Haddad (prefeito da cidade de São Paulo): “O brasileiro cobra revolução, desde que não se mexa em nada”.

Os poucos candidatos que propuseram a mudança tiveram poucos votos, não conseguindo serem eleitos. A maioria votou nos mesmos, esperando que eles façam diferente. É quase uma definição de loucura, se pensarmos com calma. Calma que não existiu em momento algum. Vários e vários relatos de pessoas sendo agredidas, verbal ou fisicamente, devido a sua escolha politica. Milita-se por um partido da mesma forma que milita-se por algum time de qualquer esporte.

Por isso eu disse, logo no começo do texto, que há a necessidade de se entender de onde veio essa raiva toda. Essa intolerância, essa falta de respeito. O “debate de ideias” deu lugar a “agressão das ideias”. Para perceber isso, basta olhar o que é compartilhado no seu Facebook. Aposto, e ganho, que a mais da metade são compartilhamento de noticias falsas, de agressões verbais, acusações sem provas e por aí vai.

Lembro que a Marilena Chauí conclamou a pensadores acadêmicos estudarem o motivo da reeleição do PSDB no estado de São Paulo, visto os vários problemas existentes no estado, fruto da má gestão desse partido. Recomendo, Chauí, aumentar o escopo dessa pesquisa: precisamos entender a causa de tanto ódio, pois, acredito eu que daqui quatro anos poderá ser pior.