A internet não perdoa.

Graças à revista favorita do Wagner, a veja, e a vontade de ser alguém relevante, a internet tem mais uma engrenagem de funcionamento para a nova máquina de virais que ela se tornou. Agregando um valor enorme aos virais.

agrega

O que me surpreendeu não foi o nível de futilidade, idiotice ou não-sobriedade do moço que concedeu a entrevista e criou o tutorial do camarote, mas a raiva, indignação e revolta gerada nas pessoas.

Pelo vídeo podemos observar que o cara é um empresário. Ok. Trabalha, deve ter algum talento, nem que seja o de ser herdeiro de uma fortuna, para ganhar e sustentar suas baladas que vão de cinco mil ao infinito. Ele trabalha, ele gasta, nada muito diferente do que fazemos, não levando-se em conta a quantidade. Muita gente que reclama do moço, comprou seu celular chique e caro em dez ou mais vezes nas casa bahia (eu também, não fiquem tristes). Ele acha bonito e legal esse tipo de retorno com o dinheiro dele. Ok. Então acabamos criando alguns lados nessa história.

As pessoas que ficam com raiva, porque ele é fútil, gasta cinquenta mil em uma balada enquanto tanta gente passa fome. Amigo, encare, esse é o capitalismo. Não é o modelo perfeito, mas é o que está fazendo o mundo funcionar aos trancos e barrancos.

Pessoas que o admiram, pois claro, se há gente na balada, que vive de balada (e não me refiro aos donos de boates e seus funcionários, promoters etc), há gente que vá achar aquilo o máximo. O velho e bom “ter é melhor do que ser”. Geram uma ostentação fora do normal onde as pessoas que não têm o poder aquisitivo acham que aquilo é o que traduz ser rico, legal e bem sucedido e tentar outros meios de atingir esse objetivo, mesmo que para isso você tenha de colocar em risco a vida e a hornet alheia. E nem vou entrar no mérito de ele achar que mulheres são cenográficas e nem no sentido que isso possa vir a ter, mas achei interessante como as justificativas de ser como ele é sejam tão rasas quanto um pires. Analisando mais profundamente, seria praticamente o sentido da vida, ou seja, não tem sentido.

Fútil ou não, o rei do camarote não passa de uma versão endinheirada da linda Inês Brasil, que acha que ser famoso a troco de nada, só por ser, é o topo da sociedade e objetivo de vida. Temos muitos assim, como também há pessoas diferentes, com pontos de vista e objetivos de vida divergentes do que você acha normal. Quem nunca julgou, que jogue a primeira garrafa de champagne.

Então quando um rapaz aparece em um vídeo, dando um tutorial para ser o rei da balada, dizendo coisas estapafúrdias, sempre com um ar meio aéreo, às vezes  até meio pesado, por ser nonsense, por ter sido postado no canal da Veja e por uma série de outros fatores que se possam fazer troça, virou viral. A sensação do momento.