Não sou hipocondríaca. Apenas sei a maioria dos nomes dos remédios que preciso tomar em caso de gripe, febre, dores, etc. Nesses tempos em que tudo se cura com uma pílula – até mesmo coração partido! – a farmácia vira padaria e a caixinha de remédios se transforma em um baú.

Hoje pela manhã meu primo estava com um acesso de rinite. “Pega lá um remédio pra tomar, aquele laranjinha que dissolve na água”. Água no copo, comprimido efervescente e… eterna espera. Ele começou a agitar o copo, na esperança de que as bolhas que subissem ajudassem o comprimido a se desfazer mais rápido.

“Moço, quero duas pra stress crônico e uma pra ajudar a engolir sapos!”

“Não adianta, meu. Tem que esperar” – afirmei com a categoria de uma criança que passou a vida tentando apressar o inapressável e, depois de cada derrota, admirando esses pequenos momentos de transe. Já pararam pra viajar com a cena de um comprimido desses se desfazendo? É quase tão hipnótico quanto o naufrágio da colherada de achocolatado que você coloca no leite frio.

Acho que faltam às pessoas esses momentos de esvaziamento da mente. O simples fato de ter que esperar dois minutos inteiros – absurdo! – pra aliviar a bateria de espirros que você está soltando já te ajuda a acalmar um pouco. Há certos acontecimentos que não se importam com a sua pressa, a falta de tempo e de paciência. E é preciso aprender a observar o tempo de cada um deles.