Foto: Ma Zannon

Mamãe, eu quero!

Você, querido brasileiro, querida brasileira, que labuta de sol a sol durante o ano todo pra ter preciosos momentos de descanso e lazer nos feriados… Você, meu caro, minha cara, que adora uma folga do trabalho pra poder fazer aquele programa de índio e arrastar alguém contigo… Você, paulistano amigo, que adora ano novo e carnaval porque todo mundo desce pro litoral e a cidade se esvazia por algumas 48 ou 72 horas… É com você que eu quero conversar hoje.

Tudo bem que o carnaval é aquela festa cheia de plumas e purpurina, com mulheres seminuas sambando por aí. Tudo bem que é só o que passa na TV, é o que povoa a internet, o que não te deixa dormir com as festas na vizinhança, enfim. Tudo bem, pois é daí que surgem as lindas ideias para quebrar a rotina. E foi o que eu fiz.

Agarrei meu mais novo amigo de internet – sim, eu conheço pessoas pela internet e ainda não perdi nenhum rim por conta disso! – e fomos ao carnaval veneziano do Sesc Consolação. A programação nada dizia a respeito do teor da apresentação: um quarteto de flautas tocando música erudita. É de graça, estamos de bobeira em casa, que mal que tem?

Grata surpresa é de repente perceber que a grande festa da carne pode ter charme sem ser apelativa, que a música pode ser contagiante sem ensurdecer, que você pode encontrar no meio da multidão dessa cidade monstruosa algumas cem pessoas que apreciem um pouco de calma e paz em meio ao caos dos foliões. Não é que eu não goste do carnaval, eu simplesmente só não me dou bem com ele.

Saímos de lá querendo máscaras de Pierrot, Colombina e sua trupe, querendo flautas mágicas que tocassem sozinhas enquanto dançamos. Eu saí de lá com conceitos diferentes, por que não? Ao menos neste 2013 eu deixei de desejar que as cinzas da quarta-feira chegassem mais depressa.

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Olá, muito prazer, eu sou a Sarah Kelly. Quem ouve o podcast já conhece a minha voz, agora é hora de conhecer os textos também. Sintam-se à vontade, a casa é nossa.