Trabalhar com jogos já é por si só bacana. Mas até hoje, nunca pensei o que os vizinhos do prédio pensavam de nós, até que uma vizinha do quinto andar “desabafou” sobre nossa presença”.

O original tá aqui no blog da nossa vizinha Noeli, mas traduzo para quem es demasiado pelotudo para no aprender castellano:

Tinha que odiar aos do segundo andar. Era inevitável, era necessário. Os do segundo andar chegavam todos os dias ao prédio que dividíamos com seus rollers, seus skates, suas roupas coloridas e seus cabelos despenteados. Subiam conosco (os do quinto andar) no elevador e se notava que estavam vestido como se fosse domingo, com suas camisas de estampas, suas calças, seus jeans e correntes, seus tênis, seus óculos escuros. E parece que se dedicavam a fazer joguinhos de celular ou alguma coisa do tipo, moderno e caótico. Às vezes, nos encontrávamos na hora do almoço na praça em frente ao trabalho, em Puerto Madero. A gente via eles rirem e ir e voltar em seus skates e patinetes, dando voltas, giros e piruetas. Uma vez os vimos com coisas que pareciam trampolins, como patinetes para saltar. Víamos eles saltarem como coelhos no campo, revezando-se para usar esse treco, gritando e vibrando. Os odiávamos, não podíamos não odiá-los. Até tinham o seu próprio pátio interno, o único do edifício de sete andares de escritórios, e do nosso refeitório podíamos vê-los almoçando ao ar livre todos sentados juntos como uma grande família feliz. Até corria o boato de que era permitido fumar dentro do andar deles. O rumor era que podiam fazer o que quisessem. Que podiam fazer tudo. Os odiávamos, como não odiá-los? Nós nos arrastávamos com nossas roupas formais e nossos cabelos perfeitamente ajeitados às nove da manhã com cara de sono e cumprimentando sem muita convicção, e eles vinham trabalhar felizes e relaxados como se estivessem em um parque de diversões. Nós só podíamos conseguir fumar abaixo, na rua, e eles tinham seu próprio fumódromo, seu próprio pátio com mesas e bancos e palmeiras e tudo. Nós nos apurávamos pelos corredores, tínhamos auditorias a cada três meses pela mudança de gerência, especulávamos as consequências das auditorias, qual cabeça iria rolar desta vez, fazíamos complôs nos banheiros, trocávamos segredos nas cozinha. Eles chegavam em seus rollers com jeans e tênis e sem nenhuma auditoria os esperando (aparentemente não existem auditorias para videogames, apenas se jogam e pronto). Era preciso odiá-los, era o que qualquer um faria. Uma vez com minha colega Marcela descemos a propósito ao segundo andar na hora do almoço e tentamos espiar através das portas de vidro, mas não conseguimos ver muito porque nos assustamos quando o elevador fez um barulho e enquanto eles, os do segundo andar, desciam, nos metemos no elevador com a cabeça baixa, sussurrando um “com licença” e morrendo de vergonha por ter sido descobertas. Esperamos que a porta fechasse para olhar uma para outra, suspirar e dizer: “são insuportáveis”.

Bom, tirando o lance de fumar dentro do andar, e complementando que os patinetes se usam dentro do escritório para locomover-se mais rápido (são 200 metros de ponta a ponta =P), meu trabalho é mais ou menos como ela descreveu.