Caro Senhor Ministro, tudo bem?

O senhor não me conhece, mas eu sei de suas atividades politicas, pois acompanho os noticiários. Sou professor da rede pública do Estado de São Paulo desde 2009. Me formei através de uma universidade pública e – veja só – estou devolvendo esse ato em forma de professor. Não sou ainda efetivo, ainda, mas pretendo. Então tenho trabalhado como eventual e contratado.

Mas este texto, Senhor Ministro, é para fazer um apelo e também mostrar algo que talvez – vou trabalhar na hipotese do talvez – o senhor não tenha percebido isso. Ou talvez já tenha percebido, e caso isso for verdade, só vai estampar que realmente há muita má fé para com a educação brasileira por parte de vocês, que estão no poder.

Recentemente foram divulgados os resultados do ENEM e as escolas públicas tiveram resultados pifios. Isso não foi surpresa para ninguem que trabalha com educação. Eu, particularmente, quando vi o resultados, quase levantei uma placa escrito “eu já sabia”. Apesar do pouco tempo de trabalho que eu tenho, dá para perceber o descaso que há. Alias, não precisar ser nenhum especialista em educação para perceber isso. O senhor pode ter certeza que da família mais rica até a mais pobre sabe disso.

E, veja só você, adivinha sobre quem cai a culpa desses resultados. Chuta, eu sei que você consegue acertar na primeira. Sobre o governo? Não, cai nos professores. Exatamente, nós somos os grandes vilões dessa história.

Somos nós que temos que aguentar uma sala lotada, uma jornada de trabalho exaustiva e uma infra-estrutura que nos obriga a tirar leite de pedra. Nos falam que temos que utilizar a internet como instrumento no auxilio da aprendizagem. Eu concordo com isso. Mas como posso fazer isso quando o laboratório de informática da escola não tem internet? Convenhamos que aí complica demais, não é senhor ministro. Imagine o senhor, em seu gabinete, sem um computador e um telefone. Ou mesmo sem uma caneta. O senhor conseguiria trabalhar decentemente assim?

E agora sai a noticia de que há a proposta de aumentar os dias letivos de 200 para 220. E essa ideia veio atraves de uma pesquisa de um subordinado seu. E é aqui que espero que o senhor me perdoe o linguajar: seus subordinados são umas antas. E por tabela o senhor também, veja só! Não sei se você já sabia disso, mas agora está sabendo.

Será que o senhor não percebeu que neste momento a urgência não é aumentar a quantidade de dias letivos. A urgência é melhorar a infra-estrutura, é modificar esse sistema educacional falido que vivemos. Senhor Ministro, vários colegas professores estão com medo de pisar na sala de aula. Ser professor se tornou uma atividade insalubre. Nós não temos mais nenhum respeito por parte dos alunos, nossa autoridade em sala de aula é praticamente nula! Vivemos um tempo em que é capaz de um aluno bater em um professor e o mesmo ter que pedir desculpa caso isso tenha machucado a mão do aluno! Isso é totalmente errado!

Na atual situação, os professores não querem que aumentem os dias letivos. Eles querem que diminuem! Veja quantos pedem afastamento, quantos estão ficando doente, enfim, veja o quanto nós sofremos! Ou isso é pedir demais?

E o que o senhor faz? Nada. Isso mesmo, nada. Investimento em educação, cadê? Reunir governadores e secretarios estaduais da educação e debater esses problemas, cadê? Ou o senhor está mais preocupado com a possivel candidatura a prefeitura de São Paulo?

O senhor me envergonha, ministro. O senhor e os governadores e os secretários da educação de cada estado da nossa nação. Sim, eu tenho vergonha de saber que moro em um mesmo país que vocês. Vergonha de perceber o grande descaso que vocês tem pela educação. E sabe o que é pior? Isso é um total desrespeito a todos os professores que o senhor já teve, desde a Dona Cotinha que te ensino o abc até o mais qualificado professor universitário que você, “Ministro da Educação”, teve.

Atenciosamente,
Wagner Brito de Jesus, professor de Geografia da rede pública de ensino.