Nos últimos dias acompanhei a discussão sobre vários estados dos EUA abolirem a escrita cursiva (também conhecida como “letra de mão”).

Bem, primeiro nos vale o fato de que abolir não significa – neste caso – deixar de ensinar. O que realmente aconteceu foi abolir a exigência do ensino cursivo. Ou seja, as escolas não serão obrigadas a ensinar. E se quiser ensinar, nem precisa se focar tanto assim. Isso mostra claramente onde os EUA preferem focar: nas tecnologias em sala de aula.

Afinal, qual o sentido de usar papel e lápis para escrever, quando se pode ensinar uma criança a digitar várias palavras no menor tempo possivel? Será que a criança aprenderá menos se ela não souber dominar, de modo razoavel, a arte de escrever a mão? A resposta é: não. O aprendizado é o mesmo, o conhecimento será transmitido, mas, obviamente, um detalhe importante estará sendo deixado de lado. Isso torna a aprendizagem quase completa, ao meu ver.

Vamos deixar claro o seguinte: nos EUA existe uma dicotomia entre ler e escrever. A criança aprende primeiro a ler e depois a escrever. Logo, se ela aprender a ler primeiro, vale mais a pena ensinar a escrever através da letra imprensa (a letra de forma). É o tipo de letra que ela vê em jornais, revistas e – claro – internet.

Já no Brasil – ainda bem – essa dicotomia não existe. A criança aprende a ler e a escrever quase que ao mesmo tempo. Nosso metodo de ensino mostra as várias maneiras de como as letras podem ser reproduzidas. Isso, com toda certeza, faz com que a aprendizagem seja mais rica. Hoje o foco não está na caligrafia, mas sim na compreensão dos textos – e nas formas dos textos – que vemos nos dia a dia.

(Só para curiosidade: quando criança eu cansei de usar caderno de caligrafia e até hoje minha letra de mão é horrivel. Prefiro escrever em letra de forma, mais legivel)

Talvez você possa ficar preocupado e achar que o Brasil vai querer macaquear a mesma ideia. Eu ficaria tranquilo quanto a isso. o principal fato que me deixa tranquilo é que primeiramente as tecnologias não estão presentes nas escolas brasileiras tal qual acontece nos EUA. E o segundo fato é que o professor pode ter todos os instrumentos necessários a mão para que haja uma boa aula, mas se o aluno não estiver afim de aprender, não vai aprender.

No caso brasileiro, nossa preocupação tem que ser repensar esse ensino que temos, ao invés de pensar se teremos ou não computadores para cada aluno.