Ele gostava dela. Muito. Só de pensar nela já começava a “bater uma suadeira”, com os amigos diziam. Seus pés não tocavam o chão, de tanta paixão dentro de si por uma pessoa.

Mas como a vida não é um filme de comédia, ela não acreditava nessa paixão toda. Achava falso, vazio. Flores, cartazes, chocolates, ligações, abrir a porta do carro… nada a convencia de que ele sentia algo relacionado a amor. “É só frescura, logo passa” dizia ela aos amigos, mesmo esses a contrariando veemente.

Até que um certo dia de domingo a campainha toca e ela o vê, um pouco suado, do lado de fora do portão. Ele carrega um pequeno pote em sua mão direita.

Ambos se olham sem dizer nada.

Ele estende a mão direita entre as grades do portão e mostra para ela o pequeno pote. Transparente e com um liquido branco viscoso.

Ela entende.

E estão juntos até hoje.