@BetoPatux

Pois é, neste dia 28 de junho de 2011 Raul completaria 66 anos. Mas a história escreveu outras linhas e no dia 21 de agosto de 1989 Raulzito nos deixou órfãos. Morria ali o “pai do rock” nacional.

Raul não era nenhum ser de outro mundo, mas era um ser bastante alternativo. Foi do auge ao fim do poço, como parece ser tradição entre todos aqueles que, por se alimentarem do sucesso, se perdem. Ah, o sucesso!! Esta droga maldita!!

Com Raulzito não foi muito diferente de muitos “astros da música”. Ele teve sua banda de abertura de shows dos outros, depois fez sucesso como compositor, sumiu, voltou como cantor, estourou nas “paradas de sucesso”, caiu nas graças do povo, passou por censura do desgoverno militar, exilou-se na terra do vovô Sam, voltou ao Brasil, superou todas as expectativas de venda com novo álbum e então mergulhou no mar da depressão, drogas e alcolismo. Depois de quase dez anos, já completamente debilitado, se foi.

Raulzito fez história e mudou a história. Com um misto de blues, rock e ritmos nacionais, influenciou toda uma, duas, dez gerações. Raul foi um cowboy fora da lei, cultivando contra-culturas, levando pais e mães à loucura, jovens ao delírio, governos à absurdos, músicos à liberdade. Raul não nasceu “há 10 mil anos atrás”, ele não foi “início, o fim e o meio”, mas lutou como soube, como conseguiu, para permanecer, por toda a vida (curta, por sinal), para ser uma eterna “metamorfose ambulante”.

Como homem, civil, cidadão, questionável. Como artista, criativo e inventivo, um deslumbre, inquestionável até.

Saudosista que costumamos ser, serei eu hoje. Termino esta humilde homenagem, se posso isto dizer,  ao “pai do rock” nacional, o cara que mudou paradigmas, mas, de tanto mudar, se perdeu.

Com vocês, a música que me acorda toda manhã: “Metamorfose Ambulante”, afinal de contas, de gente fazendo e pensando igual este mundo já tem demais!!