Fim de expediente. Hora de ir para casa.

Saindo do edifício, me deparo com o “super” centro da cidade. É o miolo do miolo, o caos do caos. Aparentemente tudo lá é vivo. Do subsolo ao céu!
Quando você chega ao centro da cidade, o relógio parece correr mais rápido, as pessoas parecem sempre estar com pressa, vendedores ambulantes em ritmo de promoção em loop, o trânsito parece indecifrável, exceto para os motoristas que parecem sob efeito alucinógeno, driblam outros carros, motos e pedestres até o límite do possível… algumas vezes tentam o impossível e lá se vai um motoqueiro (normalmente insano) ao chão!

Enquanto pessoas trafegam como formigas, desesperadas, pelos quarteirões do centro da cidade, eu paro. Respiro. Estou cansado. Enquanto chego, a passos lentos, até o ponto do ônibus, busco um alívio, uma fuga daquele caos. No ouvido, os fones que sempre me acompanham. No iPod toca algum podcast, estão falando sobre ficção científica. Minha mente, para variar, não consegue decidir se ouve o programa, se presta atenção nas pessoas transitando ao meu redor ou se busca alívio de tudo isto…

O iPod não parou de tocar, a mente não cessou o trabalho, mas distraído olhei para cima e me deslumbro com um pequeno vão entre as gigantes árvores da rua Tamóios. Do vão vejo o Edifício Acaiaca, que um dia foi um dos principais no centro de Belo Horizonte, com inúmeras incursões de mãos arquitetas, pois certamente não foi um engenheiro que o desenhou. Hoje, para muitos, é apenas um prédio velho. Sacrilégio!!

Deviam restaurá-lo. Ele faz parte de uma história, que alguns jovens intransigentes, imbecis, teimam em ignorar. De uma Belo Horizonte mais tranquila, mais humana, menos apressada. Daquele tempo em que o bondinho era uma opção de transporte e as pessoas andavam muito mais do que hoje. Saudade? Não. Eu não estava lá. Foi ouvindo meus avós contarem sobre suas peripércias, aventuras e muitas desventuras que esta cidade surgiu para mim.

Acredito no progresso, sim, acredito. Mas, infelizmente, tratando do centro de Belo Horizonte, há mais retrocesso do que avanço. Se evoluímos, foi a caminho do caos.

Mas acho que não é só a capital “das” Minas Gerais que padece deste mal. A pergunta é: o que fazer?