Fazia três meses que Rosa não tinha notícias de seu filho, sargento do exército, designado a ir ao Haiti em missão de paz. Ela não entendia como um exército poderia promover a paz. Esse conceito era demais para a sua cabeça.

Sempre achou que ao entrar nas forças armadas seu menino teria um futuro garantido, porém isso não estava saido como o planejado. No tempo em que seu filho ficou em silêncio, tudo era monótono e sem cor, uma vida daltônica. A comida não tinha mais gosto e tudo era desespero.

A família bem que tentou ajudar com palavras de carinho, confortando, inclusive alimentando, quando a saúde lhe faltava.

Após o sétimo mês de ausência, Rosa ou por desgosto ou anemia, caiu doente e ficou internada definhando a cada dia. Ela desejava poder abraçar seu rebento, brigar com ele por ter dado esse susto nela, qualquer coisa, mas que ele estivesse lá.

Na semana seguinte, Roberto voltava de sua missão, já como segundo-tenente reformado e descobre o estado de saúde de sua mãe. Corre para o hospital e encontra dona Rosa como nunca achou que veria sua progenitora. Muito debilitada ela não acredita no que vê e chora abraçando seu bebê dizendo:

– Você me salvou, salvou o dia! Você veio vivo!

E docemente fechou seus olhos e repousou.