Eu gosto de lecionar. Desde quando comecei até o dia deste post eu sei que melhorei bastante como fazer isso. Não vou dizer que sou o melhor, pois lecionar é uma arte que você vai aprimorando com o tempo. Alguns fatores ajudam nessa melhora, como: vontade de aperfeiçoar, condições de trabalho, incentivos profissionais, projetos e outros fatores que não me vêm à mente agora.

E eu gosto de lecionar na rede pública. O que talvez me torne um corajoso. Ou um burro. Não que eu dispensaria trabalhar em uma escola particular. Aliás, é algo que eu gostaria muito e até agora a impressão que tive é que é um clubinho bem difícil de entrar. Pelo menos por aqui.

Mas acho que é na rede pública que eu percebo que eu posso fazer a diferença para alguns. Eu me recuso a fingir que ensino. Prefiro mil vezes me estressar para dar nem que seja 10% da aula prevista do que sentar na cadeira e não ensinar nada.

Pois se eu conseguir fazer com que eles aprendam esses 10%, já é uma vitória.

Sim, eu me estresso, grito, me sinto mal. Por quê? Porque eu me importo com eles, mesmo com aqueles que nada querem. As turmas que percebem que eu me importo começam a me respeitar. As aulas fluem. Posso ser o professor que ri, conta piada e na hora da explicação consegue a atenção deles nos momentos em que vou explicar algo.

E já quase chorei quando uma aluna de ensino médio veio desabafar comigo sobre um problema familiar. Separação, drogas… uma situação bem delicada e tudo que ela precisava era alguém que a ouvisse. Já consegui atenção de alunos ditos problemáticos, que passaram a me respeitar e melhoraram seus rendimentos em sala ao perceber que sim, eu acredito que eles possam ser muito mais do que acham.

Se sou bem recompensado pelo meu trabalho? Financeiramente, não. Aliás, bem longe disso.

Fico triste de ver o descaso público que vejo na educação. Principalmente na infra-estrutura. Muitas escolas caindo aos pedaços. Geralmente a única mudança é pintar. Só. Quem está de fora acha que está tudo a mil maravilhas, quando na verdade foi apenas pintura. Triste isso. Cada vez mais sou a favor de permitir que empresas invistam na infra-estrutura das escolas. Não apenas uma pintura, mas reformas significativas que tornem a escola um lugar mais prazeroso de se trabalhar e para os alunos frequentarem. Salas de aulas decentes, banheiros que funcionam, quadras poliesportivas que dê para praticar algum esporte, materiais necessários para uma aula boa…

Não vejo por que ser contra isso. Não estou falando para deixar as empresas decidirem como a escola deve trabalhar. É ajudar na manutenção, em troca de alivios fiscais. É uma ideia, oras. Já que o Estado falha miseravelmente nessa área, não custa nada pensar nisso.