Hoje precisei lecionar 6 aulas de física. Isso mesmo, física.

Mas por um erro meu, não deixei nenhum material de atualidades pronto para aulas no ensino médio, pois desde o começo do ano eu só estava lecionando para 5º e 6º séries, então acabei relaxando nisso. Erro meu, confesso, então resolvi abraçar a física.

O assunto não era dificil: cálculos de velocidades. Velocidade igual a delta S sobre delta T. Eu até que gostava das aulas de física, na época do colégio. Não era um aluno exemplar, já que história e geografia sempre foram o meu forte, mas também não fazia feio. E eu lembrava o básico para ajudar os alunos.

Como eu não era o professor fixo das turmas, só estava ali porque a professora faltou, deixei bem claro que não era um professor da área, mas que estava com vontade de rever essa matéria e que ia resolver os problemas junto deles. Uma troca de informação, basicamente.

Apesar de poucos alunos estarem realmente interessados em fazer os exercicios que a professora havia deixado, a grande maioria estava cagando e andando para isso. Alias, cagando e andando para a minha presença ali. Não houve alguma ofensa, mas era visivel que eles preferiam que eu não estivesse ali.

É nisso que aí eu fico pensando: é a geração da aprovação automática (conhecida formalmente como progressão continuada). Podia ser eu, a professora fixa, o papa, o presidente… não interessa, eles não iria prestar atenção. Eles são o resultado de uma política que prefere quantidade do que qualidade. Aí, qual vai ser a motivação do caboclo de prestar atenção em mim ou em qualquer professor? Zero. Para menos.

São desses que eu mais tenho pena.