Na faculdade, as matérias que mais me chamavam a atenção eram as que estudavam o urbano, a cidade, qualquer coisa relacionada as cidades. Gostava muito de ver como uma cidade é praticamente um ser vivo, que evolui, que causa e sofre modificações. Tanto que meu tcc foi sobre o comércio e o modo como ele influencia o cotidiano de um determinado bairro daqui de Rio Claro.

Mas é realmente muito interessante você ver a evolução da cidade: de um ponto de descanso para tropeiros, por exemplo, até virar uma metrópole mundial. E como sua população se apega a um determinado bairro, criando, assim, uma identidade visual e cultural neste local que torna a cidade mais rica ainda.

E o bairro é o ponto de encontro, principalmente nos finais de semana, quando o fluxo de automóveis diminui  as pessoas se reúnem, as pessoas interagem e essa interação se reflexe no bairro. Puxo aqui um trecho do livro O lugar no/do mundo, de Ana Fani Alessandri Carlos:

Aqui os ruídos diferem sensivelmente daqueles dos dias da semana. Em algumas áreas públicas as pessoas vão para se expor. O encontro de pessoas que se conhecem há algum tempo e que jogam carta, por exemplo. (…) Nos bairros italianos antigos da metrópole paulista, ainda restam as festas em homenagem à padroeira das regiões de origem dos migrantes; as procissões ainda têm apelo em algumas comunidades, as quermesses reunem vizinhos em torno das barracas típicas para conversar tomando quentão, mudando no seu decorrer, literalmente, a vida no bairro.

Esse meu fascinio pela cidade, pelo urbano, explica a minha emoção ao ler Avenida Dropsie – A Vizinhança, do gênio Will Eisner. Para você conhecer Will Eisner com mais propriedade, veja este site aqui.

Quero me focar mais na HQ. Avenida Dropsie é localizada no sul do Bronx, em New York. A HQ dela mostra toda essa evolução, essa interação, que um bairro, uma vizinhança, possui. Desde seu começo, quando era basicamente composta por migrantes holandeses até dias mais recentes, com toda uma mistura de etnias.

A HQ é dinâmica, pois uma história já puxa outra em poucas páginas. Um personagem que é mostrado na infância, em poucos quadros e traços, você o vê novamente já adulto. Ou um personagem mostrado rapidamente em uma parte ganha uma importância muito grande tempos depois. Ou seja, várias vidas, várias histórias, vários “causos” tendo com palco a Avenida Dropsie. E esses atos modificam a avenidade, fazendo com que seus atores improvisem, mudem seus modos e isso reflete na avenida e assim vai esse ciclo.

Se você, tal qual eu, gosta de ver histórias urbanas, então Avenida Dropsie – A Vizinhança é presença obrigatória em sua estante.

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