Eu sempre fui um cara bastante carinhoso.

Sempre me preocupei mais com quem amo do que comigo mesmo, a ponto de esquecer meu amor próprio e encorajar a mulher que amava para outro.

Quando a conheci, percebi com o tempo que isso se agravaria, ela era a coisa mais importante da minha vida e consequentemente meu mundo girava em torno dela.

Seu sorriso era como adentrar nos portões do paraíso e seus carinhos eram bênçãos diárias que tive a graça de ter por misericórdia do criador.

Nunca achei que fosse merecedor de tamanha sorte, por isso mesmo tratava-a com mais cuidado e carinho do que qualquer outra, era ela a perfeita, a pessoa para mim.

De uns tempos para cá as coisa não vinham muito bem entre nós. Completamente transtornada veio a mim dizer que eu a estava sufocando, que eu não era mais a pessoa meiga e atenciosa que ela conhecera, que eu me importava mais com os detalhes do que com ela. Mentira! Nada nesse mundo era mais importante para mim do que minha amada que era a minha vida, queria garantir que tudo fosse sempre perfeito, porém ela continuava a me acusar de coisas sem sentido como perfeccionista e materialista.

Por fim, ela terminou comigo.

Acho que a partir daí alguma coisa quebrou dentro de mim. Eu simplesmente não sentia mais nada. Eu estava oco.

Tentei depois disso conhecer novas pessoas, no entanto o resultado que eu já previa se tornava real. Eu era tão frio que não passava do primeiro encontro.

Eu sabia que só havia uma maneira de reparar isso. Se alguém poderia me ajudar, era ela.

Quando a reencontrei ela estava mais radiante do que nunca, estava linda, brilhante como o sol. Contrariando minhas expectativas meu coração continuou tão quente como gelo.

Hoje em dia creio que eu esteja melhorando, talvez possa ter sido o método pouco ortodoxo que usei. Hoje em dia estou redescobrindo meus sentimentos, e devo tudo graças à ela.

A cabeça dela que tenho exposta em um vidro lindo decorado com flores em meu santuário, me fez descobrir novos sentimentos que nunca imaginei que pudessem existir.