O mundo era mais fácil de encarar, as torres gêmeas estavam lá e ninguém se importava com isso, o presidente era o FHC, O prefeito do Rio era o Conde (boquinha de ovo), Enéas estava vivo e futuramente tiraria a barba e votei obrigado pela primeira vez.

O salário mínimo era 1/4 do que é agora, eu ganhava R$0,85 por hora no Mc Donald´s onde engordei em um ano 10Kg e nunca mais consegui emagrecer, passei pelo período sabático mais obscuro da minha vida amorosa, vi minha vó viva pela penúltima vez, nem pensava em tirar carteira de motorista, não tinha a mínima ideia do que fazer na faculdade (eu acabara de me formar no ano anterior), ainda escutava muito Legião Urbana, mas começava a ouvir outras músicas.

Meus pais moravam comigo, minha irmã era uma pirralha chata (hoje é uma adulta chata), visitava meus parentes a todo momento, meu compadre não tinha filho, o filho da minha prima nasceu, eu não tinha cabelo nas costas, eu não tinha tatuagens, eu fumava escondido, eu amava o pessoal do prédio, por falar nisso, aquele prédio era vivo naquela época (o condomínio também era mais baixo), meu computador não era bem meu e sim comunitário, tínhamos uma Tv de 14″, dormia em um beliche e suportava minha irmã mexendo a cama e meu irmão roncando tal qual uma betoneira.

O dinheiro era só meu e contribuía com alguma coisa em casa, o Fluminense tinha sido convidado para a copa João Havelange (e assim “voltando” para primeira divisão), comecei a filosofar como a vaca para futebol, ainda jogava bola com os amigos, já tinha preocupações da vida adulta, mas continuava com atitudes da infância (a.k.a. adolescência), lavava a louça dia sim dia não, começa a minha caminhada de leituras (que depois desembocou finalmente [aleluia] em saber o que fazer da vida), fiz amigos que hoje em dia não sei onde estão, o Papa ainda era o JPII (mas tava tortinho, tadinho).

Isso tudo e muito mais aconteceu quando eu tinha 18/19 anos