A última aparição do Freddy Krueger literalmente falando no cinema, foi em 2003, ainda na pele de Robert Englund, Freddy X Jason, e moralmente falando considero que o último “Freddy Krueger” do cinema tenha sido o Coringa de Heath Ledger, o assassino risonho, imprevisível e carismático.

O Freddy Krueger de Jackie Earl Haley, é apenas alguém que comprou a fantasia no mesmo lugar, sem carisma, sem humor e longe de ser assustador. Agora, eu me esforcei para fingir não ter visto o anterior, e embarcar nessa nova versão, mas não adiantou.

A cada coisa trocada, a cada deslize, fui ficando com muita saudade do filme de 1984. O primeiro deslize: Nancy citar seu nome antes mesmo de a mesma apresentar na tela um pesadelo com este. Ou seja, há uma preocupação dos personagens, fazerem Freddy ser crível em pouquíssimos minutos de filme, tal como foi a insistência em dizer repetidas vezes o nome do vilão em Hannibal, A Origem, antes mesmo de o personagem ser novamente (dependendo de sua idade) apresentado ao público. Por exemplo, um dos personagens no filme original quando foi preso dizia mais ou menos assim para Nancy: “Havia outra pessoa no quarto, eu não o vi, mas sei que era alguém com facas nos dedos”, ou seja, você põe um tipo de personagem que não acreditaria em tal tipo de coisa fronte a uma que acredita muito nisso, o que torna muito mais crível a situação.

O filme parece um legado de super proteção, onde os pais sumiram com fotos e separaram um grupo de amigos para fazer se esquecer do seu grande trauma de infância. Primeiro, quem esqueceria mesmo que na sua tenra idade alguém como Freddy? E se vê claramente uma queda de braço no brainstorm da produção do filme em decidir se os ditos abusos do mortal Freddy teriam sido uma mentirinha de criança, ou um fato consumado.

No terceiro ato vemos quem ganhou a queda de braço. E passa uma mensagem péssima por sinal, onde amedronta ainda mais uma possível vitima de tal abuso, e faz crer que a decisão correta de denunciar tal coisa seria o principio de uma futura punição. Eu sei que é mera ficção, mas se é para inserir algo tal sério num blockbuster, que pelomenos seja feito algo que se assemelhe ao Bastardo Amarelo de Sin City, o criminoso que no fim das contas é punido e não o contrário. Seria muito melhor manter a idéia original de um serial killer.

Mas, falemos do que deu certo, cenas clássicas como a da banheira trazidas para os dias atuais, ainda provocam aquele riso e terror como antigamente. A cena da sala de aula, onde Tina está envolta numa sala completamente carbonizada com o Freddy de professor, e após acordar ver um pedaço de seu cabelo cortado, é muito boa também.

Agora, a atriz Rooney Mara faz a atual Nancy apesar de linda (eu a achei a cara da Demi Moore), é muito ruinzinha, apenas no terceiro ato vemos um trabalho ali, mas que saudade da cara de medo da Heather Langenkamp. O ator que interpreta o personagem Quentin, que no original se chamava Glen, que foi interpretado por Johnny Depp, em minha opinião era o melhor na nova empreitada, até o momento da ridícula cena em que enfia uma agulha de adrenalina na própria perna, e reage de uma maneira como se acabasse de tomar um sedativo, aliais a própria seqüência leva a crer nisso, pois ele cai no sono.

Alias por falar em Quentin, o Tarantino agradece a homenagem, mas Wes Craven deve ter odiado a seqüência final, pois ele o fez de maneira muito melhor. O que nos resta é esquecer reboots, remakes, begins… pois assim os estúdios param com isso.

Desejo a todos um sono tranqüilo.