Sabe qual o grande problema de crescer? Você perde as certezas, as garantias.

Você entra na vida escolar entre 7 e 9 anos. Alguns antes. Você vai sair entre 18 e 20 anos. Vamos considerar uma pessoa que entrou com 7 anos e saiu com 18: foram 11 anos de estudo. Primeiro o ensino fundamental e depois o médio. Nesses 11 anos a certeza mais que absoluta que uma pessoa tem é que ano seguinte estaria na escola.

Ignorando fatores externos, claro, senão este post não vale a pena.

Depois vem a faculdade. Vamos chutar aí um curso universitário de 5 anos – em universidade pública – e 1 ano de cursinho feito antes de entrar na faculdade. Se somados aos 11 anos, temos aí 16 anos estudando direto. Ou seja, um caboclo entra na vida academica com 7 e sai com 24 anos, em média.

Foram 24 anos com a certeza do que ia vir depois. E depois disso? E depois disso vem a era da incerteza. Você simplesmente não tem a minima ideia do que pode vir. Se você tem, meus parabens, mas eu não tenho.

Desde semana passada sou um rapaz formado, legitimamente, em Geografia, nas modalidades licenciatura e bacharel com ênfase em análise sócio espacial e planejamento territorial. E o que isso significa? Significa que entrei na universidade como futuro da nação e sai como problema social.

Não existem mais certezas para mim, no momento.  Eu posso ou não posso fazer as coisas. Posso fazer mestrado ou não. Posso trabalhar na minha área ou não.

Talvez seja um grande dramalhão mexicano que eu esteja fazendo. Mas lembro que eu, no momento em que, vestido de bata, peguei o canudo de formado da mão do reitor, pensei: “Socorro!”

Mãe, eu e Pai.