Este texto também pode ser chamado de As Aventuras de Thais na Terra do Sol Rachante
Tudo bem! Eu sei que eu andei sumida por um longo, longo tempo. Mas nem venham me dizer que sentiram minha falta, porque eu sei que nem lembram mais da minha existência. Sou eu, Thais. Só os leitores mais antigos é que devem se lembrar dos meus textos quase sempre sem cunho sério… Enfim! Chega de saudosismo. Como uma breve explicação do meu sumiço, começo do ano eu estava trabalhando, estudando e saindo. Não tinha tempo pras outras coisas. Histórias até que tiveram muitas, mas não dava pra colocar no papel do word sempre.
Eu resolvi escrever esse texto, inclusive, por conta de uma dessas minhas aventuras.
Estava eu ontem do lado de fora do bloco, sozinha, fumando. Sexta feira, final de tarde e eu sem nada pra fazer e sem planos pra mais tarde. Meu vizinho chega e pergunta se eu queria ir ao pagode com ele. Ok, pausa para comentário: Eu não frequento lugares que tocam pagode, geralmente. Não é por preconceito, eu até escuto de vez em quando, mas é que não é meu tipo de festa. Eu disse que como eu não iria fazer nada, eu iria sim com ele.
Às nove ele já estava batendo aqui na porta. Nove e meia, mais ou menos a gente parou num boteco desses de esquina, razoavelmente grande e era dia de feirinha no setor, que por acaso ficava em frente ao bar. Havia uma banda, de pagode, claro, se preparando pra tocar. Uma folha A4 na parede avisava que o couvert era R$2.
Outro comentário: O que esperar de um lugar onde o couvert artístico é 2 reais? Desce uma cerveja e lá estamos conversando e rindo dos passantes.

- Exemplo de cabelo com toneladas de creme rinse
A média de idade do bar ficava entre 27 e 300 anos. Tinha uma mesa de maranhenses (eu quero deixar claro que não tenho absolutamente NADA contra os maranhenses e eu só sei que elas eram de lá porque o rapaz vocalista da banda deu um salve pras moças) com duas meninas. Short que faz valer o nome da peça, curto, beeeem curto! Aquele cabelo grande, preto, ensopado de creme rinse, sabe? Enquanto essas meninas dançam os rapazes de 237 anos ficam ensandecidos.
Desce outra cerveja e passa uma mulher com os cabelos típicos já expostos acima só que dessa vez eles estão presos. Com alguns fios soltos na frente, sabe? Enroladinhos, pra dar aquele aspecto da franja batendo quase lá no queixo? Ten- dên- ci- a! As meninas vão me entender mais que os meninos que lerem esse texto e se você é uma menina dessas cabelo-creme-rinse, por favor… Não faça isso com você mesma (n.e: espero que elas entendam, porque eu boiei forte nessa).
Na terceira cerveja há uma movimentação estranha na praça, carros de polícia, sirenes… TIRO! Não é mentira, teve tiro na pracinha, as pessoas corriam apavoradas, era mãe catando criança, o moço dos DVD’s genéricos tacando tudo na sacola, o pipoqueiro correndo com o carrinho, uma loucura, minha gente… Uma loucura. Nisso o cantor, muito sereno, pediu calma a todos do bar, que o show ia continuar. Inventou de fazer um pagode de No woman no cry, do Bob Marley, com o inglês superfluente dele.
Quarta antarctica, eu já meio alta. Como todo bom boteco, sempre tem um menino pedindo dinheiro. Enquanto a música rolava (oou, ou mano crai… oou, ou mano crai..) ele ia de mesa em mesa. Chegou na nossa “Tem cinqüenta centavos, tio?” Meu vizinho: “Ô, parceiro… tenho não” O menino continuou andando.
Pausa para o comentário que eu achei engraçado, pelo menos na hora, do meu vizinho: “O moleque vem pedir dinheiro pra mim bem vestido desse jeito? Olha a sandália dele, nem eu tenho uma sandália que prende atrás!” Parando pra pensar aqui agora, me ocorreu que eu devo ter achado engraçado na hora por conta das 4 cervejas… whatever.
Divagações a parte, pagamos as cervejas*, o couvert e fomos pra outro lugar. Muito mais tenso, diga-se de passagem.
Quem mora em Goiânia deve saber que o Pagode do Xandão não é muito bem freqüentado. Bom, eu já havia escutado comentários, sabe? Mas como eu já estava na chuva, um pingo a mais não ia fazer diferença. Eu linda, loira e bem arrumada num lugar onde só tinha rampeiro. Se não acreditam na decadência do lugar, eu provo com fatos, a lata de cerveja era R$0,50 (isso mesmo, CINQUENTA centavos) (n. do e.: por esse preço, até vale enfrentar esse caos, desde que seja cerveja decente). Sentei numa mesa e de lá só saí pra ir ao banheiro uma vez, no trajeto até lá, me esquivei de três caras, mas na porta, esperando a fila, um teve a oportunidade de me pegar parada. Queria um trago do meu cigarro, sendo que ele nunca tinha fumado na vida (eu sei por que ele falou) e queria que EU colocasse o cigarro na boca dele. Romântico, não?

Outra imagem meramente ilustrativa
A única mulher bonita que eu vi naquele lugar estava no banheiro quando eu entrei, mas abriu a boca pra falar de um tal de Josnilton que tava ficando com a Sula por lá e ela P da vida por isso. Aí eu desisti da vida. É pra acabar com o pequi mesmo.
Voltei pra mesa, um cara veio atrás…
- Oi, você tem namorado?
- Não.
- Mas você tá tão sozinha aqui, triste.. não gosto de te ver assim
Eu com uma cara de eu-sei-que-você-não-leu-nem-dez-livros-na-sua-vida
- É saudade.
Já construindo o diálogo todo pro meu grand finale.
- Mas você falou que não tinha namorado…
- Mas eu não tenho namorado mesmo não… Tenho namorada.**
Eu não consigo descrever a cara dele nesse momento, mas eu sei que foi muito engraçada. Depois de 5 segundos de pausa, ele diz resignado:
- Foda.
E sai.
Passa um tempinho, vem outro:
- Oi.
Eu sempre simpática:
- Oi.
- Tudo bem? Você tá tão desanimada aqui. Tá sofrendo de amor?
Eu com uma cara de eu-sei-que-você-manda-cartões-animados-no-orkut-com-frases-prontas:
- É, tô sim.. com saudades da minha namorada.
Ele fez a mesma cara do outro, mas não desistiu tão fácil e mandou essa aqui, atentem para o lirismo do rapaz:
- Mas… para esquecer uma paixão, só uma outra paixão. Eu quero te fazer sentir melhor.
Com voz de locutor de rádio e toda aquela cadência ao falar. Eu quis que parassem o mundo pra eu descer, naquele instante.
Eu só balancei a cabeça e ele saiu Pô, mas eu só levo fora.
Algumas investidas muito mal sucedidas de alguns rapazes que não tiveram tanta graça aconteceram e lá pelas 2h eu já não agüentava mais aquele lugar com mulher de boné e uma piranha tamanho extra G no rabo (rabo do cabelo), homem de pochete dançando rebolation ao som de Dj Panqueca, garotas creme-rinse e coisas do gênero. Fomos embora.
Eu sou uma pessoa que gosta de viver novas experiências e eu admiro as pessoas que são assim. Mas, se você um dia vier a Goiânia e te chamarem pra ir ao Pagode do Xandão, eu não aconselho! Mesmo que você seja uma dessas pessoas que gostam de se aventurar. A frase que provavelmente ficará na sua cabeça durante toda a noite deverá ser a mesma que ficou na minha: O que diabos eu estou fazendo nesse lugar?.
* Era só pra ficar bonito no texto, eu não paguei nada.
** Eu não tenho namorada. Mas quer desculpa mais eficiente pra dispensar um cara?
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