Eu adoro o fato de você olhar algo e instantaneamente vir a mente uma lembrança. Isso também acontece quando você ouve algo ou sente um cheiro. Se não me engano, isso se chama memória sensitiva.

E recentemente a minha trabalhou bastante quando vi a calota de um carro.

Calota

Calota meramente ilustrativa

Tudo aconteceu a um bom tempo atrás, mais ou menos a 12 ou 13 anos atrás. Eu estudava na falecida escola Monsenhor Martins* que ficava a uns 20 minutos da minha casa, de bicicleta. Eu gostava muito de estudar lá, porque quase todos meus amigos estavam lá também. Quase todos? Acho que todos, na época.

Enfim, eu ia de bicicleta. Uma pequena bicicleta verde-abacate. Não tinha marchas, naquela época marcha era coisa de fresco ou rico. Apesar da cor feia, eu gostava dela.

Até que um certo dia, saindo da escola como toda boa criança nessa idade – ou seja, correndo e afobada, como o diabo corre da cruz – montei na bicicleta, comecei a pedalar com tudo, me desviei de uma brasilia bege que saiu sem dar seta e fui atingido com tudo por uma monza verde-claro perolado.

Fui atingido com tudo, o monza brecou a ponto de cantar pneu bem alto, me carregou um pouco e a roda parou a poucos centimentros da minha cabeça. Senti o cheiro de pneu queimado saindo do pneu e vi bem a calota do carro, toda riscada. Depois perdi a consciencia por alguns minutos.

E dias atrás, quando olhei a calota do meu carro, me lembrei desse meu atropelamento. O único até hoje, ainda bem. Memória sensitiva nos faz lembrar de cada coisa.

A bicicleta teve apenas a roda traseira entortada.