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Morte Inesperada – parte 2

28 julho, 2009 | Comente

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O barulho das buzinas ao longe davam um formigamento nos ouvidos, um súbito calor se manisfestava em meio a calafrios, tontura, pessoas, gritos, luzes, asfalto, levanta, cai.

Tudo confundia Tiago e num momento de clareza ele olha para o lado, e lá vê Clarisse, seu amor recém-revelado, ainda sustentando um sorriso suave na boca, com as pernas viradas de um modo diferente e o braço dobrado mais de três vezes, o calor era tamanho que Tiago não sabia mais se o que escorria de seu rosto era lágrimas, suor ou sangue, um cheiro de carne queimada e os lábios com aquele gosto de gordura queimada ao mesmo tempo enojava e entorpecia.

Aos poucos as imagens vão se juntando e ele percebe que foram atropelados. Sem sentir o braço esquerdo Tiago se arrasta até Clarisse e a abraça, a dor era excruciante, mas não era o braço de Tiago que doía, mas sim a visão de sua amada com os olhos entreabertos e imóveis. O desespero de tiago o levou a blasfemar, amaldiçoar tudo o que existe. A multidão de curiosos começa a se formar, a gritaria e o burburinho se misturavam às buzinas e o som da obra ao lado que futuramente pararia para ver aquela tragédia humana como se fosse uma peça, um drama interminável, um loop, uma volta infernal em torno daquele momento. A vida de Tiago naquele momento não fazia mais sentido, não tinha mais passado, tampouco futuro. E de repente silêncio.

O calor se foi, o barulho se foi, as pessoas calaram, as buzinas cessaram, os carros pararam, as pessoas ficaram imóveis, presas em suas poses como bizarras estátuas num jardim nefasto com sua fonte ao centro. E então frio, Tiago tremia vigorosamente, os dentes doendo de tanto bater, Clarisse com uma leve camada gélida, mais fria do que sua condição poderia lhe deixar. Foi nesse momento que Tiago viu um vulto enorme passando entre as pessoas, vagarosamente, porém mais rápido do que sua visão poderia acompanhar, sua noção de tempo estava abalada e quando menos esperava aquele vulto estava frente a frente com ele, só não desmaiou de medo pois a curiosidade era mais forte.

Sobre o autor

Mitch Souza

"Eu sou metal, raio, relâmpago e trovão. Eu sou metal, eu sou o ouro em seu brasão. Eu sou metal, me sabe o sopro do dragão."

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