Em uma carta* escrita com demasiada pressa e em mau estado volta em uma das naus de Pedro Álvares Cabral em estado deplorável a Portugal.

“D. Manuel I,

Ao chegarmos ao Monte Pascoal avistamos a Ilha de Vera Cruz, porém ao aportarmos à praia fomos recebidos com tirambaços de canhão, como nestas terras desoladas haveriam de ter canhões, sequer ser vivente? Entretanto os nativos da terra que aqui habitam nos fizeram cativos e exigem que não se ultrapasse suas fronteiras, e como demonstração de vossa gentileza deixou que voltasse um navio para que lhe entregasse esta mensagem com o teor que eu desejasse, não se importando se falássemos mal ou bem deles.

O mais impressionante foi o fato de todos falarem português, um tanto quanto estranho e com um sotaque aberto, mas entendiam o que nós falávamos e já sabiam de Pedro Álvares e o mataram assim que saiu da pequena embarcação que nos levava a margem.

As construções donde esse povo habita, é de causar inveja e espanto pelo modernismo e estranho notar um tipo de construção chamado “edifício” em que se mora uns em cima dos outros como se fossem um punhado de casas empilhadas.

Me faço rápido nesta carta pois meus carcereiros disseram que já tive tempo demais.

Por favor sua majestade, necessitamos de resgate.

Pero Vaz de Caminha”

*Traduzida do português arcaico