Não me recordo quem disse esta frase. O que interessa aqui é o perdão mais profundo que ela traz. Não estou dizendo das mentirinhas e pequenas omissões do cotidiano, mas sim daquele passado obscuro de um povo que merece saber de sua história.

Vi um filme que me fez refletir (e por isso escrevo) sobre a anistia. A “Sombra do Passado” se passa na África do Sul no ano de 2000 quando a Comissão de Verdade e Conciliação ouvia os pedidos de anistia daqueles que prenderam, torturaram e assassinaram muitos negros do país, grande parcela da sociedade sul-africana para quem a lei não era imparcial. A anistia só era concedida se o réu contava honestamente a verdade sobre o caso que estava sendo ouvido.

A verdade liberta porque ela permite que saibamos de nossa história e que o passado não permaneça trancado, por mais que cause dor. Por outro lado, deixa livre o torturador e assassino.

Diferente do nosso caso em relação à anistia concedida aos militares e policiais durante a Ditadura Militar, nossa história permanece com buracos ainda não revelados que precisam ser preenchidos. Os arquivos da Ditadura, aqueles que ainda não foram queimados, precisam ser devolvidos à história. Um povo que não sabe de seu passado, não tem história.

Sinto que não somos livres, porque não temos clareza do nosso passado. O Brasil não tem um povo esclarecido por muitas outras razões. E o fato de ter seu passado lacrado também é uma delas.

Recomendo que assistam o filme e que reflitam sobra a anistia no Brasil, pois se a verdade deve libertar, por enquanto, só é real aos que dominaram o povo por um longo tempo. A nós, os outros, resta saber que é hora de lutar pelo direito de saber.