Ahhh Glorinha, sim, eu lembro de você…

Eu me lembro de que sempre disputei para sentar perto de você, no colegial. Você tinha o seu fã-clube declarado, mas eu admirava você em silêncio. Sempre arrumava um jeito de ninguem perceber. Ninguem poderia perceber, somente você.

Me lembro de seu cabelo negro, negro como a noite, negro como jabuticaba. E fazia uma harmonia celestial com a sua pele morena-clara. Lembro também do seu perfume, o único perfume que não irritava meu nariz.

Teve um dia, naquela aula chata de quimica, que você encostou sua carteira na minha. Era exercicios em dupla, e você tinha esquecido seu livro. Como eu gaguejava, lembra? Sua presença era intimidadora demais para o tímido garoto que eu era.

Sempre quis te chamar para sair, Glorinha. Mas, naquela época, entender o mundo feminino era o mesmo que entender física quantica. Hoje ainda não entendo nada de fisica quantica, mas consigo entender melhor as mulheres. Mas, antes, Glorinha, era impossível. Por isso te admirava em silêncio. Em meus sonhos nós fomos o melhor e mais incrível casal que esse mundo jamais viu!

Mas… Glorinha, cacete, o que aconteceu com você? Cadê toda aquela candura e inocência que eu admirava? A sua barriga lisinha, o seu cabelo negro… como você mudou! E será que pode dançar mais devagar, quero colocar essa nota de vinte reais na sua calcinha…