Quem ainda não viu esse filme, vá ver porque vale a pena! As críticas, no plural mesmo, pois mesmo por ser um filme relatando a visão de um policial do Bope, acho que ele é capaz e cumpre essa função muito bem de relatar e criticar o sistema como um todo e com todos os seus personagens. As críticas são destinadas ao papel dos universitários, à polícia convencional (militar) e ao Batalhão de Operações Especiais (Bope) frente ao tráfico de drogas e de armas que corre “livremente” nas favelas do Rio de Janeiro.
Em relação ao primeiro grupo de personagens, a crítica dirige-se ao papel financiador da classe burguesa (média e alta) para o tráfico de drogas ao comprar sua maconha e sua cocaína para ficar numa boa. Questionamentos a essa classe surgem em diversas cenas como a discussão em sala de aula sobre a instituição Polícia, seu papel financiador do tráfico e a passeata para lembrar a morte cruel de estudantes vítimas (?) do tráfico.
Para o segundo grupo de personagens, mostra a decadência de um sistema de segurança pública em que os policiais estão mergulhados na corrupção, que de tão enraizada já não tem como atuar por fora dela e isso resulta num conflito entre grupos policiais por zonas de influência e redes de comércio sujo. Dessa forma, é mostrado um Estado completamente decadente que não tem como passar segurança para a população, pois seus agentes são mal pagos, mal treinados e corruptos.
Há críticas ao Bope em cenas sutis, mesmo que as pessoas achem que não tenham por esse ser um filme baseado no relato de um agente de alto comando do Bope. A cena do cemitério, é um bom exemplo em que a bandeira do Bope fica em cima da bandeira do Brasil, assim, o Bope se mostra a partir do filme a cima do Estado!
É um filme que condiz com a realidade brasileira com toda sua violência, repressão, intolerância, alienação, corrupção e tortura.