É de VIDA
esses anos
e os sei
mesmo desatento.


Nunca decorei a senha da juventude
que me usa como estampa
e que ainda me embaraça de rompantes
Mas que me parte: sou alma meio novata
e cheia de eras noutra metade,
Porque vivi:
porque já gastei do peito e da cabeça,
corpo inteiro, aura ruminada
Larguei-me alheio, passo a passo
tragado, mascado pelo mundo
Senhor do aprendizado,
tantas vezes um quase outro, engodos
eu não sei não: SOU
Tornei-me esse perdido da inocência
É caótica a aurora
que é transformar-se em si mesmo
e isso não é questão de anos,
é feitura da memória do que se gasta
À medida que fui me encarnando em mim
fui esquecendo como se sonha acordado
quase perdi a ousadia
que é esse vôo sem asa
e a admiração por abismos
Mas porque vivi e amei
fui curado a tempo
porque amei e sofri
experimentei a falência
e a dor do sangue
E só porque já desisti mil vezes
e já matei todas as flores
sonho: porque vivo.

E que venha a corrosão dos dias!
Porque farei dos anos
idos, vindos, VIDA
intensamente vivida
Amen

De todos os beijos e abraços
retenho os que me detêm.

De Natália para Wagner, com carinho.