10 de outubro. Eram quase meia-noite. Faltava apenas alguns segundos para que 11 fosse considerado oficialmente como um novo dia.

Pedro e Ana dormiam no sofá, com a televisão ligada. Ele era apenas um estudante universitário, segundo ano. Ela, enfermeira, cujo turno começava de manhã e terminava de tarde, próximo das 20:00h.

Pedro era, e ainda é, mais novo que Ana. Pouca coisa, três anos apenas. Mas para os olhos comuns, ele parecia mais velho. O que isso significava na vida deles? Nada. A idade não modificava em nada o amor que eles nutriam.

Pedro era o mais animado com o namoro, era a primeira vez que ele tinha um namoro tão duradouro. Nenhum outro relacionamento dele tinha passado dos seis meses. E esse já tinha muito mais de seis meses.

E Ana teve um dia muito corrido. Quase todo dia era agitado, quando se é enfermeira de hospital público. Pedro também teve um dia agitado, com provas e trabalhos para entregar.

Por isso os dois dormiam abraçados, no sofá.

O relógio de Ana apita exatamente meia-noite e um. Ela acorda Pedro: “feliz aniversário, meu amor. Quero ser a primeira a te dar os parabéns”. Beijou Pedro com uma maciez que somente as pessoas apaixonadas conseguem fazer, e voltou a dormir.

Pedro, totalmente atônito, não soube o que fazer. Isso nunca lhe havia acontecido. Acreditou que o melhor era retribuir o beijo. Mas ao olhar Ana, percebeu que ela voltou a dormir com um sorriso no rosto. Um sorriso sincero, raro ultimamente. Ele apenas resolveu abraçá-la carinhosamente, encostou sua cabeça próxima a dela e dormiu, feliz.

Ana nunca soube, mas esse foi o melhor presente de aniversário que Pedro teve.