Voltei!

Minha viagem foi excelente. Tirando o fato de que foram 20 horas dentro de um ônibus, só na ida. E na volta também. Se pelo menos as poltronas fossem, no mínimo, razoável, eu não estaria com tanta dor na costas como eu estou agora.

Januária é uma boa cidade para ser visitada. Pequena, com 62.000 habitantes. Percebi que lá ninguém morre por causa do estresse. Morre de tédio.

E devido a sua proximidade com o Estado da Bahia, o sotaque é uma transição entre o mineirês e o baianês. Ou seja: eles podem falar devagar, feito baiano, mas no final da frase geralmente tem um uia de mineiro.

Ah, mas Januária tem suas belezas naturais. Tem várias grutas e cavernas. Eu fui na Gruta do Tatu e vi como a natureza pode nos deixar com um sentimento de insignificância. Mas para eu me sentir insignificante precisei fazer uma caminhada de 4km mata adentro.

Temos também o Rio São Francisco. O Velho Chico, para os íntimos. Lindo, exuberante. E em alguns trechos o rio tem apenas 1,5m de profundidade devido à seca. Nos outros o trecho é bem mais fundo. O barco parou em uma ilha intermitente, que aparece quando o rio está baixo. Foi aí que aproveitei para para tirar a zica do corpo. É um ritual indigena que eu aprendi. Consiste em entrar no rio dizendo “sai ziguizira, zica vai embora!”. Se funciona, não sei, mas pelo menos é divertido. Para os outros, claro.

Outra qualidade excelente de Januária, e agora é sério, é a cachaça produzida. Nunca degustei tanta pinga na minha vida. Comprei algumas. E paguei menos da metade do que pagaria se eu comprasse elas por aqui.

Um fato, no mínimo irônico: eu comentei, com um funcionário que trabalha no hotel onde fiquei hospedado, que fazia um calor do caramba em Januária. “Calor?!? Você veio na época de frio por aqui.” Essa foi a resposta do cidadão. Então dou um conselho para vocês: nunca, mas nunca, vá em Januária em janeiro. Deixe para ir no inverno. Sério!

O povo da cidade é educado. O povo da mata também. Acho que é a maior concentração de pessoas educada por metro quadrado. Todo mundo é educado, até o cabra-macho que ficou olhando meio torto, já com o facão em prontidão, enquanto meu grupo de pesquisa perguntava a uma jovem dama onde ficava a Prefeitura. Mas onde está a educação nesse ato? O simples fato de ele não ter nos matado já é um ato educado.

Bem, eu gostaria de escrever mais sobre Januária, mas depois de 20 horas de viagem mal-dormida eu não estou conseguindo ser criativo – ou engraçadinho – na descrição da viagem.


P. Florindo, espero que você tenha gostado do texto. E agora é a sua vez de realizar o desafio!