Vou confessar: o único texto que já li da Clarice Lispector foi o A Hora da Estrela. E só li para o vestibular. E como foi para vestibular, não lembro mais direito. Uma vergonha isso. É tão vergonhoso que nesse momento estou escrevendo o texto com a cabeça dentro de um saco de pão. Sem os pães, obviamente.

Então agora vou me redimir. Vou fazer propaganda do texto dela e prometo que vou ler esse livro. Em julho, claro. E vou comentar sobre ele também. Em julho, de novo.

FELICIDADE CLANDESTINA
Texto de divulgação feito pela editora Rocco.

Publicado pela primeira vez em 1971, Felicidade clandestina reúne 25 contos que falam de infância, adolescência e família, mas relatam, acima de tudo, as angústias da alma. Como é comum na obra de Clarice Lispector, a descrição dos ambientes e das personagens perde importância para a revelação de sentimentos mais profundos. Felicidade clandestina é o nome do primeiro conto.

Como em muitos outros, é narrado na primeira pessoa, e mostra que o prazer da leitura é solitário e, quando difícil de ser conquistado, torna-se ainda maior. O conto narra a crueldade da filha do dono de uma livraria que se recusa a emprestar As reinações de Narizinho, de Monteiro Lobato, até que a intervenção da mãe da menina permite à narradora deliciar-se, vagarosamente, com a posse do livro. A história, como outras do livro, acontece no Recife, onde a autora passou sua infância.

A dificuldade de se relacionar está presente em todos os contos. Em Uma amizade sincera, dois amigos quanto mais se aproximam fisicamente, mais distantes ficam; em Miopia progressiva, sobre a expectativa de um garoto em passar o dia na casa da prima mais velha e a decepção quando, enfim, chega o grande dia e nada de especial acontece. Solidão e morte também estão presentes no melancólico O grande passeio, sobre a velhinha solitária com quem ninguém quer ficar; A legião estrangeira fala das visitas, dos conselhos e do silêncio da menina Ofélia; e Os obedientes, da insuportável simetria do casamento. O cotidiano da vida familiar também faz parte da coletânea, em Uma esperança e Macacos, nos quais as relações dos humanos com os animais servem para a autora falar dos mistérios da vida e da morte.

Os desastres de Sofia é um dos mais belos contos e trata da relação de amor e ódio de uma menina de nove anos e seu professor. Outro grande exemplo das dificuldades de relacionamento é A mensagem, sobre dois estudantes, que tentam não se ver como homem e mulher. Só quando ela vai embora é que o rapaz percebe que já é um homem e vê a colega como uma mulher. A descoberta do sexo também é tema da última história, O primeiro beijo, em que um estudante descobre a mulher após “beijar” os lábios de uma estátua. Entre os 25 contos de Felicidade clandestina, há textos originalmente publicados em jornal e outros que faziam parte do livro A legião estrangeira. A maioria trata de recordações familiares e de infância, mas todos testemunham os mais profundos segredos da alma humana.

http://br.geocities.com/claricegurgelvalente/livro_12.htm

Morganna, sua vez de realizar o desafio. Entrem no blog dela, pessoal!