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O Grande Mentecapto, de Fernando Sabino

25 fevereiro, 2007 | 6 Comentários

Esse livro é sensacional. Com certeza entrou na minha lista de livros preferidos de autores nacionais. O primeiro é Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis. E com certeza, O Grande Mentecapto vem em segundo.

Primeiramente, segundo o Aurélio, mentecapto é uma pessoa que perdeu a razão, louca. Um tolo, néscio. Lendo, uma das minhas primeiras dúvidas foi: Será que ele realmente teve razão um dia?

“O nome verdadeiro de Geraldo Viramundo, embora ele afirmasse ser José Geraldo Peres da Nóbrega e Silva, era realmente Geraldo Boaventura, e assim está lançado no livro de nascimento em Rio Acima”. (página 9)

Na linha da novela picaresca – vide o Dom Quixote de La Mancha, de Cervantes -, em que o personagem desloca-se por um espaço indefinido, à cata dos conflitos, para resolvê-los heroicamente, Viramundo vive uma seqüência de peripécias acontecidas no Estado de Minas Gerais, contracenando com personagens dos mais variados matizes e comportando-se sempre como o bem-intencionado, o puro, o ingênuo submetido às artimanhas e maldades de um mundo que ainda não está de todo resolvido. Andarilho, louco, despossuído, vagabundo, idealista. Marginal em uma sociedade que não entende e em que não se enquadra, o Viramundo instaura um sentimento de ternura e de pena por todos aqueles que, em sua simplicidade, sofrem o descaso, a ironia, a opressão e a prepotência.

A pureza deste aventureiro é a crítica à hipocrisia das relações humanas em um mundo que perdeu o sentido da solidariedade e da fraternidade. Sua alegria ingênua e desinteressada opõe-se ao jogo bruto dos interesses malferidos, ao conservadorismo e à arrogância. Porta-voz dos loucos, dos mendigos, das prostitutas, o Viramundo conhece os meandros da enganação e da falsidade dos políticos e dos poderosos.

Uma das coisas mais interessantes sobre o livro é o modo como ele é contado. Sabino conta a história como se realmente Viramundo tivesse existido, sendo o autor apenas um biógrafo. Realmente é muito interessante e prende o leitor.

E o autor nos faz questionar a loucura. Qual o limite entre a loucura e a razão. Se é que existe uma divisão, claro. Alguns personagens, que se consideram “normais”, são tão loucos quanto.

É um livro que recomendo. Quem gosta de ler consegue devorar o livro em, no máximo, uma semana.

Escrito por Wagner Brito

Professor de Geografia, blogueiro, podcaster, tricolor paulista. Se orgulha de já ter conseguido beijar uma ruiva natural e de saber fazer um excelente café. Não lembra direito porque criou este blog e vive insatisfeito com o layout. Normal, não se espante. Twitter: @wag

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