Fui me encontrar com Inveja em um lugar que, com certeza, é um ponto-de-encontro dos que se dizem moderninhos
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Inveja: Olá. Está um pouco atrasado, hein.
Eu: Desculpe, acabei ficando mais tempo do que eu esperava com Gula e Ira!
I: Hunfs, aqueles dois, viu! Eles deviam assumir que se gostam…

Olhe para Inveja por alguns segundos e pensei: “É homem ou mulher?”

I: Sou uma pessoa andrógina.
E: Ahn?

I: Você estava se perguntando se eu sou homem ou mulher. Sua cara revelou seu pensamento. Percebi isso com meus lindos olhos verdes.
E: Mas quem tem olhos verdes é ciúmes¹.
I: Eu sei. Somos parentes e eu sempre invejei aqueles olhos. Agora uso lente para deixar igual, ou melhor.
E: E como é ser Inveja atualmente?

I: Olhe ao seu redor. Está vendo essas pessoas se fingindo amizade? Exibição pura! Sempre alguém terá algo que pode causar inveja em outra pessoa. Todos tem inveja. E qualquer coisa pode causar inveja. Até a felicidade do outro pode causar inveja em alguém!

E: A grama do vizinho é sempre mais verde.

I: Exatamente. Agora, com licença, eu vou me encontrar com Luxúria.

Inveja levantou-se e foi para seu encontro com Luxúria. Eu ainda fiquei um tempo ali, pensando. Me levantei e fui procurar Arrogância.

Ele estava em uma praça, sentado em um banco. Como me disseram, Arrogância é um senhor que aparenta ter 70 anos ou mais. Vestia uma roupa até que elegante. Igual a essas que vemos pessoas idosas usando. Parei em frente dele.

E: Olá, Senhor Arrogância.

Silêncio

E: Senhor?

Ele levantou do banco.

Arrogância: Quem você pensa que é, para querer me fazer perguntas?
E:

E foi embora. Fiquei parado, mudo e perplexo com o que acabou de acontecer. Sentei no banco e fiquei olhando para aquele senhor. Foi o melhor modo de Arrogância me mostrar que ele continua o mesmo, não importa a época.

¹ Apelido carinhoso que ciúmes recebeu na peça teatral Othelo, de William Shakespeare.